Formação de seminaristas discute conversão missionária da Igreja

A formação reúne 36 seminaristas da filosofia e teologia de 12 regionais da CNBB e inclui reflexões sobre a conversão missionária, projeto de Igreja do papa Francisco, missão Ad Gentes, cuidado com a vida no Planeta e a liturgia nas diferentes culturas.

Por Jaime C. Patias

Refletir sobre a conversão missionária da Igreja no pontificado do papa Francisco e suas implicações para a formação presbiteral. Este é o objetivo do 8º Encontro de formação missionária para seminaristas (Formise Nacional), que acontece ao longo desta semana, dias 3 a 9 de julho, em Brasília (DF).

A formação reúne 36 seminaristas da filosofia e teologia de 12 regionais da CNBB e inclui reflexões sobre a conversão missionária, projeto de Igreja do papa Francisco, missão Ad Gentes, cuidado com a vida no Planeta e a liturgia nas diferentes culturas.

Na manhã da segunda-feira, 4, ao analisar a conjuntura eclesial, o historiador e professor Sérgio Coutinho dos Santos, partiu do discurso do papa Francisco proferido em 17 de outubro de 2015, por ocasião do 50º aniversário da instituição do Sínodo dos Bispos (Paulo VI – 1965). O assessor lembrou que, “Igreja e Sínodo são sinônimos”, porque “a Igreja não é outra coisa que o caminhar juntos do Povo de Deus”. Para o papa Francisco, o caminho da sinodalidade é o caminho que Deus espera da Igreja do terceiro milênio.

coutinhoseminaristaCoutinho destacou o projeto de Francisco em fazer com que a Igreja se torne sinodal onde as decisões passem pelo povo de Deus e pelos pastores, até chegar ao ministério petrino. “Essa dimensão sinodal deveria perpassar toda a Igreja. Numa sociedade tão diversa e plural, a sinodalidade precisa ser o carro chefe para levar a diante o projeto de Jesus na construção do Reino de Deus”.

Segundo o professor Coutinho, para que a conversão da Igreja aconteça, seria preciso “reformular o modelo de eclesiologia que segue uma estrutura piramidal, vertical para um modelo, que também faz parte da tradição da Igreja antiga, e que é horizontal, dialógico, onde os ministérios não são cargos, mas serviços. Nela, deve-se levar em conta o exercício da autoridade que vem do povo, dos pastores que escutam o povo e do bispo de Roma. Esse seria um modelo mais propício para a ação evangelizadora da Igreja hoje”, avaliou o pesquisador.

O historiador considera a cristologia um ponto de partida para a eclesiologia. “É importante compreender quem foi Jesus e qual foi sua missão. Hoje, penso numa cristologia ascendente, que parte do Jesus da história, encarnado em sua cultura, para perceber a ação de Deus por meio dEle e chegar à convicção de que Ele é o Filho de Deus. Para isso, ajuda a fala do papa Paulo VI quando afirma que Jesus é o rosto humano de Deus e o rosto divino do homem”, recordou.

Professor Sérgio fez também uma retrospectiva desde Pio XII até Francisco olhando o projeto de cada pontífice. Em sua opinião, Pio XII, João Paulo II e Bento XVI ainda tiveram uma visão muito próxima ao projeto de cristandade, no sentido de que a Igreja, mostrando o seu poder, deveria dirigir a sociedade. Francisco vem na esteira do papa João XXIII, mais na linha de uma Igreja misericordiosa, que sabe dialogar e aprender com o mundo. Nada de anátemas, mas de misericórdia e principalmente de implantar com coragem o Vaticano II. E Francisco está procurando implantar as decisões do Concílio como é o caso da sinodalidade”.

Por vários anos, Coutinho foi assessor da Comissão Episcopal para o Laicato da CNBB, setor CEBs. Ele avalia que as práticas das Comunidades Eclesiais de Base são a sinodalidade de base. “É a experiência de uma Igreja que nasce do povo, se reúne, debate, toma suas decisões e exerce seus ministérios. A proposta de Francisco de retomar o princípio da sinodaliladade fortalece a prática das CEBs que são sinodais por excelência, no sentido de caminhar sempre juntos”, complementou o professor.

seminaristacoordenadorPara o seminarista coordenador da Comissão Nacional dos Conselhos Missionários de Seminaristas (Comises), João Luiz da Silva, o Formise Nacional é de fundamental importância, “pois nos desperta para viver uma vida doada à missão universal. O tema proposto para este ano nos convida a refletir sobre a conversão missionária da Igreja, no intuito de que essa conversão aconteça no coração de cada batizado, como nos indica o papa Francisco. O evento proporciona ainda, uma maior convivência entre nós seminaristas. Isso cria, desde já, uma comunhão entre os futuros presbíteros da Igreja do Brasil”, afirma.

Promovido pelo Centro Cultural Missionário (CCM), as Pontifícias Obras Missionárias (POM) e a Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB, o 8º Formise Nacional é uma oportunidade para intensificar a reflexão, avaliar a caminhada, partilhar experiências e propor novos rumos da formação missionária dos seminaristas e presbíteros. Nesse sentido, os debates retomam as conclusões do 2º Congresso Missionário Nacional de Seminaristas realizado em 2015.

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