Horizonte de Sentido

Por Marcus Eduardo de Oliveira *

Como a economia, além de uma boa ciência social, tem sido uma espécie de eixo articulador que orienta os destinos humanos, realizar-se para a vida plena implica pensar em alcançar novas orientações para o tempo futuro, tendo em conta a necessidade de colocar em prática a boa recomendação da economista equatoriana Magdalena Léon: “cambiar la economia para cambiar la vida”. Ou seja, mudar a economia (trocar o sistema) para melhorar outro sistema, a vida.

Na prática o que isso significa? Significa defender o uso de um novo sistema de economia com uma face mais humana, e com um claro objetivo de não degradar as condições do meio ambiente, buscando, para tanto, estabelecer as condições de sustentabilidade, uma vez que não é possível “pensar” uma economia saudável (e próspera) com um ambiente degradado e doente. Do mesmo modo que não há possibilidade alguma - ao menos com o rigor que se espera - de elevar-se o sistema-vida com mínima qualidade e serenidade possíveis diante do avançado estágio atual de devastação ecológica do mundo moderno. É exatamente por isso que se postula a impostergável necessidade de imaginar alternativas à construção de um horizonte de sentido, no qual a comunidade humana erga um mundo em harmonia com o Todo, desenvolvendo a capacidade de apreciar os outros e de praticar competências sociais, o que, convenhamos, ajudaria a evitar sérios abalos no equilíbrio das relações.

Rompendo com os mitos

Para tanto é preciso desfazer crenças e romper com certos mitos. Um desses, por sinal, está ligado ao sentimento de que o crescimento econômico, que empurra o homem à conquista material, irá nos aliviar e trazer a prosperidade, como se por meio do avanço econômico fosse possível completar todas as suas faltas existenciais apenas e tão somente com o aumento da produção física.

Sendo assim, é preciso anunciar que a prosperidade humana depende, sobretudo, do equilíbrio climático-ambiental, assim como essa última condição responde notadamente pela prosperidade do planeta e da vida humana, uma vez que qualquer impacto que se abate sobre os ecossistemas não se restringe apenas aos sistemas naturais da Terra. Acontece que o equilíbrio e a prosperidade do planeta, como se sabe, são condições que continuam em xeque por conta do avanço econômico do industrialismo.

Alcançado este ponto, é importante dizer que, se a nossa espécie ainda tem a intenção de continuar fazendo parte do acervo biológico terreno, com convicção tenaz deve ser pronunciado que já passou da hora de mudar o comportamento existencial dos primatas. Há de se ter o claro entendimento, no mais das vezes, de que não dá mais para negligenciar que a espécie Homo, a nossa espécie, já foi longe demais com certas loucuras, especialmente as de cunho consumista. Desde há muito tempo a comunidade humana abusa das condições dos ecossistemas planetários, comprometendo os sistemas geradores de vida da Terra. E não é de hoje que se afetam os fatores e se inviabilizam as condições que tornam possível a vida no planeta. É hora de mudar isso. ν

* Marcus Eduardo de Oliveira é economista e ativista ambiental. Autor de “Economia Destrutiva” (ed. CRV) e “Civilização em desajuste com os limites planetários” (ed. CRV), entre outros. prof.marcuseduardo@bol.com.br

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