Quem luta, também educa!

Não cometemos crime ao lutar por nossos direitos, como muitos supõem. Sem medos, caminhamos pacificamente, segurando bem firme as nossas armas: nossa voz e nossas bandeiras. Aprendemos, faz bom tempo, que quem luta, também educa. E que se “educar é nossa vida, lutar é nossa atitude”.

Por Nei Alberto Pies*

Aprendemos, faz bom tempo, que quem luta, também educa. E que se “educar é nossa vida, lutar é nossa atitude”.

Rubem Alves, certo dia, resolveu perguntar-se e responder-se: “o que é que se encontra no início? O jardim ou o jardineiro? É o jardineiro. Havendo um jardineiro, mais cedo ou mais tarde um jardim aparecerá. Mas, havendo um jardim sem jardineiro, mais cedo ou mais tarde ele desaparecerá. O que é um jardineiro? Uma pessoa cujo pensamento está cheio de jardins”.

Se pudéssemos bradar a todo mundo, diríamos que professores e professoras semeiam, todos os dias, um jardim de esperanças em suas salas de aula.

Que todos os dias, enfrentam o seu ofício não só pelo salário, mas como uma missão de contribuir para com a humanidade, através da educação. Que todos os dias correm riscos de vida, pela vida de outras pessoas, por causa da violência que já chegou às nossas escolas. Que nossos dias têm sido castigados, semelhante ao castigo que o sol impõe às plantas do jardim, no rigor dos nossos verões.

Referências

Que nós nos fazemos jardineiros e fazemos a luta a partir de nossa dignidade. Que somos referência para muitos jovens, porque ainda não deixamos de semear em suas vidas (e em seus corações) a ideia de que a vida é um jardim, que precisa ser cultivado, regado e cuidado. As flores precisam de carinho. Os seres humanos, de reconhecimento.

Os vegetais precisam de sol, os alunos precisam de horizontes. As plantas precisam de terra, adubo e água. Os seres humanos precisam de estímulos, zelo e cuidados.

O que é um jardineiro? Uma pessoa cujo pensamento está cheio de jardins. O que faz um jardim são os pensamentos do jardineiro. O que faz um povo são os pensamentos daqueles que o compõem. (Rubem Alves)

O nosso clamor é por reconhecimento. Por sabermos da importância dos jardins, exigimos que os governos façam sua parte para engrandecer e embelezar o jardim das nossas vidas, e o jardim das vidas daqueles e daquelas que cuidamos com o maior carinho. Lidamos com vidas e temos dignidade.

Como amamos a nossa profissão, resolvemos pedir que nos reconheçam como gente, e como profissionais da educação, com os nossos salários em dia, com condições boas de trabalho e com reconhecimento profissional.

*Nei Alberto Pies é professor, escritor e ativista de direitos humanos.

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