Opositor ao governo, Mauricio Macri é eleito presidente da Argentina

Eleições na Argentina derrubam 12 anos de kirchnerismo, com 78% de participação dos mais de 32 milhões de eleitores.

Por Adital

Contrariando as expectativas de que a presidenta Cristina Fernández conseguiria eleger seu sucessor Daniel Scioli na Presidência da Argentina, foi o candidato de oposição, Mauricio Macri, o eleito no inédito segundo turno no país, no último domingo, 22. Com 68,67% dos votos apurados, o engenheiro, empresário e líder de centro-direita de 56 anos de idade inicia novo ciclo político após 12 anos de kirchnerismo, em um índice de participação que chegou a 78% dos mais 32 milhões de eleitores.

macri eleiçõesargentinaNesta segunda-feira, 23 de novembro, Macri declarou à imprensa que deverá buscar estreitar as relações do Estado argentino com os demais países latino-americanos. "Falei com [Michelle] Bachalet [presidente do Chile], Tabaré [Vasquez, presidente do Uruguai], troquei telefonemas com [Horacio] Cartes [presidente do Paraguai], com quem sou unido por uma linda relação. Estava me ligando a presidenta do Brasil [Dilma Rousseff] quando entre na conferência [com a imprensa]. Tenho a melhor expectativa”, disse.

Dentro dessas relações, Macri apontou o Brasil como principal "sócio” da Argentina e destacou o interesse em tonar essas relações mais intensas também com o Chile. Para isso, Macri planeja prosseguir com a cooperação no marco do bloco econômico regional. "Acredito que teremos que lhe dar qualidade e recuperar a dinâmica no Mercosul [Mercado Comum do Sul]”, afirmou. Entre suas primeiras ações como presidente, Macri indicou que haverá uma viagem ao Brasil.

Em seu primeiro discurso como presidente eleito, Macri convocou a população a apoiar seu governo. "Quero agradecer aos argentinos que saem todos os dias para trabalhar, que acreditam no trabalho e não na mania de tirar vantagem”, disse. O direitista disse que a mudança que a Argentina tem daqui por diante "não pode ser parada por revanches” e pediu a participação de todos, inclusive de quem não votou nele, para "encontrar o caminho do desenvolvimento”.

"É um dia histórico. Uma mudança de época. Um tempo que não pode deter-se em revanches ou ajustes de contas. Construir uma Argentina com pobreza zero, derrotar o narcotráfico e melhorar a qualidade democrática”, declarou, na sede de sua campanha, em Buenos Aires, ainda no domingo. Atual prefeito de Buenos Aires, Macri é ex-presidente do clube de futebol Boca Juniors e fazia parte da coligação "Cambiemos”, juntamente com a candidata a vice-presidente Gabriela Michetti. Ele irá assumir a presidência no dia 10 de dezembro de 2015 e deverá governar o país por quatro anos.

Macri afirmou que nesta terça-feira, 24, deverá reunir-se com a Cristina Fernández, em Olivos, na região metropolitana da capital argentina. Ele evitou adiantar as medidas econômicas que pretende aplicar em seu governo. Quanto à continuidade dos julgamentos pelos crimes de lesa humanidade cometidos durante a última ditadura no Estado argentino, o presidente eleito limitou-se a dizer que continuará "o que se vem fazendo”. "Que a justiça tenha total independência para que siga fazendo”, disse.

Indagado sobre sua relação com o Papa Francisco, Macri declarou que mantém "a melhor” relação e relembrou que já compartilhou um a convivência institucional com Jorge Bergoglio quando este foi arcebispo da cidade de Buenos Aires, aproveitando para afirmar que espera uma visita papal à nação sul-americano, país natal do Santo Padre.

Fonte: adital.com.br

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