Dia de oração contra o tráfico de pessoas. Pandemia aumentou violência à mulher

O Dia de oração contra o tráfico de pessoas, celebrado em 8 de fevereiro, foi lançado em 2015. Esta celebração pretende ser uma resposta ao apelo do Papa Francisco a combater o fenômeno do tráfico de pessoas e a cuidar das vítimas. A escolha da data não foi casual: de fato, 8 de fevereiro é a memória litúrgica de Santa Josefina Bakhita, uma escrava sudanesa, libertada e que se tornou religiosa canossiana, canonizada no ano 2000

Por Vatican News

 

A pandemia da Covid-19 tornou as mulheres "cada vez mais vulneráveis e passíveis de sofrer chantagens e, portanto, vítimas de violência e abusos ainda maiores do que no passado": o alarme é dado pela Caritas Ambrosiana - órgão caritativo da Arquidiocese de Milão, norte da Itália - em nota publicada em vista do Dia internacional de oração e reflexão contra o tráfico de pessoas, que é celebrado em 8 de fevereiro, na próxima segunda-feira.

"Ao estado de escravidão em que são mantidas – lê-se na declaração - foi acrescentado um nível de miséria material sem precedentes." Setenta por cento delas, de fato, tiveram que recorrer à "ajuda alimentar, da qual não tinham necessidade antes".

E tempo de coronavírus, a prostituição cada vez mais online

Além disso, como observa a responsável pelo setor da Caritas Ambrosiana de combate ao tráfico e prostituição, Irmã Claudia Biondi, "o coronavírus deslocou o drama da prostituição cada vez mais online", tornando as vítimas "ainda mais invisíveis, difíceis de abordar se não por clientes e exploradores, e portanto mais solitárias", "mais marginalizadas".

Quanto aos países de origem das vítimas deste tráfico, a organização caritativa da Arquidiocese de Milão informa que em primeiro lugar está a Romênia, com 53% das presenças, seguida pela Albânia e Nigéria, respectivamente com 21% e 17%.

Todavia, em particular para as mulheres africanas, isto não significa que elas estejam seguras, mas que, não tendo conseguido atravessar o Mediterrâneo, "permaneceram prisioneiras nos campos de detenção líbios e lá, para sobreviverem e esperar juntar dinheiro suficiente para continuar a viagem, se oferecem a seus próprios carcereiros".

Necessidade de um ímpeto de consciência

O mesmo acontece com as meninas no Níger, obrigadas a "vender-se a homens envolvidos na extração de ouro nas minas". Efetivamente, a demanda de sexo a pagamento jamais diminuiu, a ponto de superar até mesmo o medo do contágio, ressalta ainda a Caritas Ambrosiana.

"É preciso um ímpeto de consciência da parte dos clientes – exorta o diretor do órgão caritativo, Luciano Gualzetti. Não é possível reduzir as mulheres a corpos sem alma, mas devemos aprender a olhar para o drama por trás de suas histórias."

Ao mesmo tempo, Gualzetti convida a oferecer a estas vítimas não somente um acolhimento, mas também "oportunidades reais de integração no mercado de trabalho", pois "a crise social que se abriu com a pandemia não pode ser um álibi para esquecer os últimos, mas pelo contrário, deve ser uma oportunidade para recomeçar a partir deles".

Celebração pretende ser uma resposta ao apelo do Papa

Em preparação para o Dia internacional de oração e reflexão contra o tráfico de pessoas, sábado, 6 de fevereiro, a Caritas Ambrosiana, em colaboração com outras organizações incluindo o Centro PIME (Pontifício Instituto das Missões Exteriores), promove um webinar intitulado "Tráfico, prostituição e escravidão. Novas fronteiras e novos desafios". Encontro transmitido ao vivo streaming.

Por fim, recorda-se que este Dia de oração contra o tráfico de pessoas, celebrado em 8 de fevereiro, foi lançado em 2015 pelos então Pontifícios Conselhos da Pastoral para os Migrantes e os Itinerantes e para a Justiça e Paz e pelas Uniões internacionais femininas e masculinas de superiores e superioras gerais.

Esta celebração pretende ser uma resposta ao apelo do Papa Francisco a combater o fenômeno do tráfico de pessoas e a cuidar das vítimas. A escolha da data não foi casual: de fato, 8 de fevereiro é a memória litúrgica de Santa Josefina Bakhita, uma escrava sudanesa, libertada e que se tornou religiosa canossiana, canonizada no ano 2000.

Fonte: Vatican News- IP/RL

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