A Europa abre as portas para os refugiados

Padre Joaquim Gonçalves IMC

O crescimento do número de refugiados que ousam atravessar fronteiras com coragem arrepiou a Europa que decidiu abrir as portas e dar uma resposta positiva a este desafio.

As rotinas da vida, o egocentrismo, os bons cuidados com o próprio quintal da casa são boas, mas podem ser pressuposto de um vulcão social que exige a abertura dos olhos para as situações degradantes da realidade humana cada vez mais globalizada.

Quando o presidente Busch decidiu invadir o Iraque em busca de uma possível solução para a crise interna de seu país, não imaginava as consequências dessa teimosia nos anos vindouros para os países do oriente médio e nações vizinhas. O controle das fontes de energia era visto pelo Busch como necessário para que o capital americano e seus detentores não perdessem o controle da economia local e mundial e segurasse o nível de vida dos cidadãos.

Todas as ditaduras apresentam vários níveis de dominação. Existem aquelas que destroem a vida de cidadãos e aquelas que simplesmente controlam um sistema estabelecido, mas onde as questões sociais fundamentais são atendidas. Naquela época o Iraque era o país árabe com o maior nível de alfabetização e a melhor tolerância das religiões estrangeiras. Perante a guerra do Iraque e suas consequências ideológicas, raciais e religiosas, a Europa lavou as mãos, mas não deixou de procurar tirar proveitos econômicos. Hoje em todos os países muçulmanos, uns mais outros menos, o ocidente é visto como inimigo a ser combatido

As guerras vigentes nos países do médio oriente, as lutas e perseguições religiosas obrigaram muitos cidadãos a buscar refúgio nos países europeus. A luta pela instituição de um Estado exclusivamente islâmico é uma reinvindicação e uma resposta à negação feita pelos Estados Unidos de dar ao Bin Laden e aos seus adeptos um Estado.

A tragédia de fugitivos, de refugiados, de mortes no médio oriente tornou-se uma tragédia que marca os noticiários das TVs e as páginas dos jornais há anos, mas os governos europeus simplesmente se preocuparam em controlar fronteiras e socorrer alguns casos extremos de afogados para mantê-los em acampamentos desumanos. O que levantou a maior poeira dessa situação e chegou aos olhos dos mais compassivos foi a imagem daquele menino sírio encontrado morto na praia. Uma imagem comovente que tirou a Europa do sono empedernido e daquela cegueira maléfica.

Mas não basta acolher os que já saíram de suas cidades para resolver o problema. É necessário e urgente chegar à origem do problema, que é uma ferida que parece incurável, para perceber qual é o remédio necessário para trazer a paz. Na origem desse problema também está encaixada a luta entre Rússia e a União Europeia. A Alemanha ainda continua carregando a mágoa histórica de ter perdido duas guerras mundiais por causa de países vizinhos e a Rússia continua não engolindo a derrubada do muro que definia seu império.

Agora, num gesto caritativo e com certo tom de exibicionismo político, a Alemanha desbloqueia 6 mil milhões de Euros suplementares para refugiados em 2016. Ainda durante este ano, ela se dispõe a receber cerca de 800 mil com a concessão de asilo. A coligação CDU e SPD que faz parte do governo tomou essa decisão, informando que metade dessa cifra deve ser assumida pelos Estados Regionais. Mas ninguém avança para ir à raiz do problema e aplicar o remédio justo para que as hostilidades não se prolonguem por muito tempo.

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