2ª Assembleia dos Povos Indígenas de Goiás e Tocantins: solidariedade no horizonte de outro estado

Egon Heck e Laila Menezes

O último dia da 2ª Assembléia dos Povos Indígenas dos Estados de Goiás e Tocantins, começou com rituais de agradecimento e encorajamento, já com gostinho de saudade, da esperança e amizade solidária. A grande aldeia plural de Palmas ficará no coração e sentimento de todos os participantes.

Mas existem promissoras experiências em curso na Ameríndia. São os zapatistas, no México construindo seus espaços de autonomia (comunidades sem Estado, onde o povo manda e o governo obedece). No Equador e Bolívia a terra já tem seus direitos inscritos nas constituições, e os valores e horizonte do Bem Viver não são apenas palavras ou sonhos, mas objetivos perseguidos na convivência no dia a dia, na sociedade e no Estado.

Paulo Suess foi fazendo a reflexão com a plenária, trazendo importantes exemplos e informações sobre o horizonte do Bem Viver.

Nailton Pataxó Hã-Hã-Hai e Jecinaldo Xukuru Kariri também fizeram importantes reflexões sobre esse tema, a partir das lutas e experiência de suas vidas e seus povos. Nailton não conseguiu segurar as lágrimas ao relatar que acabara de visitar os povos indígenas do Mato Grosso do Sul. Ao falar do absurdo sofrimento a que está submetido o povo Kaiowá Guarani, conclamou " Nós todos temos que nos unir a eles para resolver esse problema da terra e violência".

Concluindo os debates Paulo Suess afirmou "Aprendi com vocês três coisas: valorizar o que temos, garantir as conquistas com audácia e confiar nas nossas forças".

Do Mato Groso do Sul ao Pará a insurgente solidariedade entre os povos

Ontem foi lido na Assembleia, a carta de solidariedade enviada pelos povos indígenas que estão lutando contra a hidrelétrica de Belo Monte. Enviaram sua solidariedade nas ações e reivindicações, especialmente na luta pela vida e contra os grandes projetos.

Os participantes da Assembleia decidiram enviar moções de solidariedade aos povos indígenas no Mato Grosso do Sul, em especial a luta dos Terena na retomada de suas terras e aos Munduruku e outros povos reunidos em Altamira, no Pará, para dizer seu não à construção da hidrelétrica de Belo Monte "Isso forma uma rede de lutas, uma rede espiritual que nos une contra os Kupen (branco), que só nos fazem mal, que querem destruir nossos territórios sagrados para o bem deles, e de apenas uns poucos entre eles. Aqui nossas crianças morrem na barriga das mães. A gente passa sede e ameaças de morte, mas como vocês... não vamos desistir não!!! Estamos dispostos a dar nossas vidas pelas nossas terras. Os parentes sabem o que isso significa".

Mulheres guerreiras
Mães, jovens avós mulheres indígenas, guerreiras, que movidas pela dor, sofrimento, do dia dia que é sentido nas aldeias, provocado pela desassistência do atendimento de saúde, muitas vezes veem seus "acraré" crianças morrerem simplesmente porque a força da má vontade reina na Sesai Tocantins. Ontem em um momento muito forte, a coordenadora da Sesai foi retirada da mesa, pela força da indignação das mulheres indígenas que dizem em alto e bom tom suas verdades que são bem diferentes daquelas que fala a coordenadora da Sesai. Os 90% de atendimento e procedimento que Ivanezilia fala ao jornal do Tocantins, não confere do que se vê nas aldeias, e se ouve dos povos indígenas do Tocantins. É 90% de INSATISFAÇÃO com a Sesai Tocantins na pessoa não grata de Ivanezilia que, movida por forças desconhecida, insiste em se manter num cargo sustentado somente por acordo politico.

Diante, de todas, as manifestações, documentos e solicitações de exoneração de Ivanezilia, as Guerreiras indígenas em sua simplicidade e movidas por sua sabedoria milenar não compreendem e ficam a perguntar: Ivanezilia:"afinal você não tem amor próprio ou não tem competência para ocupar outro cargo em outro órgão?
Foram elas encorajando suas vozes e gritos pela vida, que fizeram as falas mais fortes, os gestes simbólicos mais expressivos e contundentes.

Comissão de Comunicação da 2ª Assembléia dos Povos Indígenas de Goiás e Tocantins,
Egon Heck e Laila Menezes - Palmas, 23 de maio de 2013

Fonte: Egon Heck e Laila Menezes / Revista Missões

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