Páscoa

Prof. Cajuaz Filho

O Oriente e o Ocidente celebram hoje a solenidade da Páscoa. Inicialmente, uma festa judaica.
Os judeus festejavam, doze séculos antes de Cristo, neste dia, sua saída do Egito liderada por Moisés. Juntamente com ela havia também a Festa dos Pães Ázimos. Essa festividade era conhecida como a Páscoa, do hebraico Pessach que significa passagem e também como Festa da Libertação.
Celebrada no dia 15 do mês Nissan, todo judeu, que morasse a uma distância de 25 quilômetros de Jerusalém, dela devia participar. Eis o motivo por que Jesus com seus pais, por algumas vezes, lá estavam presentes como mostram os Evangelhos. Na primeira, Ele tinha doze anos.
Festa importante e solene, seguia um ritual, hoje se diz: tinha uma liturgia. Começava na quinta - feira, ao pôr do sol e utilizava certos ingredientes a que se atribuíam significados relacionados com o evento que se celebrava: a saída do Egito.
Era uma ceia e na sua celebração, eram servidos ervas amargas que simbolizavam as agruras do deserto; ovos, o renascer de Israel; salsa, a fartura de Canaã, a Terra Prometida onde corria leite e mel; nozes, vinho, canela e maçã misturados, o barro dos tijolos fabricados pelos israelitas quando escravos no Egito; um pedaço de osso do cordeiro sacrificado e vinho que lembravam as promessas de Deus.
Jesus e seus discípulos seguiam todo esse ritual. Prova disso é que, neste dia, eles perguntaram a Jesus: "Onde queres que preparemos a refeição da Páscoa?"
Ele respondeu dizendo que entrassem na cidade e procurassem certo homem e lhe dissessem: O mestre diz: Meu tempo está próximo. Vou celebrar a Páscoa com meus discípulos em sua casa.
Os discípulos fizeram como Jesus os havia instruído e preparam a Páscoa (Mt 26,18).
Na mesa, sem dúvida, todos os ingredientes da Páscoa judaica presentes.
Véspera de sua morte, momento da confissão da traição de um deles e dia da doação ao gênero humano do sacramento do amor: a Eucaristia. Prova de amor maior não há que doar a vida pelo irmão. Isso Ele fez. E nós?
Quando os Evangelhos falam da Ceia, chamam atenção para o momento solene em que Jesus, o Cordeiro de Deus, tomou em suas mãos o pão e o vinho e os consagrou dando a seus discípulos como seu corpo e seu sangue: "Tomai e comei, isto é o meu corpo"; depois com o vinho, "bebei dele todos porque este é meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados."
A Páscoa Cristã é a nova Páscoa, conservando uma relação com a Páscoa Judaica.
A Páscoa Judaica é a lembrança da travessia do povo judeu do medo do Egito para a liberdade de sua terra; do sofrimento do deserto para a alegria da fertilidade da Terra da Promissão.
A Igreja, sem esquecer a História da Libertação do Povo de Deus, deu-lhe um novo simbolismo.
Para os cristãos a Páscoa é a recordação da fuga do pecado para a liberdade dos filhos de Deus pela graça conquistada com a morte e a ressurreição do Cordeiro Pascal e a saída da insegurança do mundo moderno para um aconchego de confiança plena em Deus e em suas promessas.
Portanto a Páscoa Cristã é a força de Deus que liberta todos aqueles que creem que Jesus é o Messias, o Cordeiro de Deus, que veio para salvar os homens da escravidão do pecado e dar-lhes, também neste mundo, uma vida feliz como prelibação da vida eterna.
O Filho de Deus preparou-se para celebrar a Páscoa mesmo sabendo que ele próprio seria o cordeiro a ser sacrificado. E nós?
"Eu vim para que todos tenham vida, que todos tenham vida plenamente".
Para isso um conselho é dado: "Reconstrói a tua vida em comunhão com teu Senhor/Reconstrói tua vida em comunhão com teu irmão, pois onde morre teu irmão, Eu estou morrendo nele".

Prof. Cajuaz Filho

Fonte: Revista Missões

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