FSM: diálogo Inter-religioso à Serviço da Cidadania Universal e dos Direitos Humanos

Jaime C. Patias *

"A proposta de um outro mundo possível exige uma mística que sustente e aprofunde a utopia. Em tempos de uma globalização financeira já limitada em seus apetites pela crise, que se serve de uma religião fundamentalista agressiva centrada no mercado e nas suas mediações que desperta reações também extremas e violentas de tipo guerra sagrada, é necessário e urgente o diálogo inter-religioso. Espaço privilegiado para reconstruir a unidade perdida do ser humano e da família humana". Com essas palavras, dom Roberto Ferreira Paz, bispo Auxiliar da Arquidiocese de Niterói, RJ, introduziu o tema do Seminário, realizado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS, dentro da programação do Fórum Social Mundial, 10 Anos, na tarde do dia 27.

Dentre os desafios atuais para o diálogo Inter-religioso, dom Roberto destacou sua função mediadora no compromisso com uma cultura de paz e tolerância. "Cabe igualmente às religiões, deslegitimar e dessacralizar toda tentativa de absolutizar aquilo que é efêmero e passageiro como também denunciar a teologia da prosperidade e suas agências locadoras, com as franquias de Templos para o consumo e adoração do deus mercado", afirmou.

Outro desafio está no campo da ética. Segundo o bispo, "uma ética orientada para o cuidado e a compaixão", que faz dos seres humanos sujeitos e protagonistas de uma nova história na comunhão dos bens da terra. Aprender a celebrar o dom da vida, agradecendo a beleza da criação para contemplá-la ultrapassando sua visão mercantil é mais um dos desafios apontados pelos participantes do seminário que teve como tema "o diálogo Inter-religioso à Serviço da Cidadania Universal e dos Direitos Humanos".

O evento contou com a presença de pessoas de diversas denominações religiosas. Os participantes destacaram ainda que as religiões podem contribuir para a cidadania universal e cosmopolita, a fraternidade universal e o Direito dos Povos a um desenvolvimento solidário. "Não apenas pregamos a não violência e a tolerância mas declaramos que nos reconhecemos irmãos de todos os seres vivos, que defendemos o amor e toda a vida, que nosso comportamento habitual deverá ser sempre a solidariedade e a atenção gentil e amorosa", ressaltou dom Roberto concluindo que "o contributo do diálogo inter-religioso no sentido de construir uma cidadania universal e ajudar a garantir os direitos dos povos é ainda incipiente, porém relevante e necessário".

Este é o Ano da biodiversidade e da aproximação das culturas. Existe uma esperança de que os povos indígenas podem ajudar a recuperar a dimensão transcendental do ser humano.

* Jaime C. Patias, revista Missões no FSM 10 Anos, em Porto Alegre.

Fonte: Revista Missões

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