Santidade é profundidade

Pe. Zezinho, scj *

Algumas pessoas são profundas e nem percebem que são. Sua vida e seus conceitos se encarregam de mostrar que estamos diante de pessoas que pensam as suas ações e cumprem a palavra dada. Não são intuitivas, nem instintivas. Usam a razão e os sentimentos em dose certa. Vivem o binômio "Fides et Ratio", como disse João Paulo II.

Atingiam a sabedoria do pensar e do agir. Para elas, folhas, flores, árvores, rios, mares, fontes, pessoas são sagradas. Vão ao porquê de cada obra de Deus. Como a palavra é expressão da pessoa, acabam, com o tempo, entendendo que a palavra também é sagrada. A de Deus e a que eles deram como sinal de amor ou de amizade. O seu "para sempre" verdadeiro. Algumas dessas pessoas são cultas, cultíssimas, outras nunca leram um livro, mas entendem o mecanismo da vida. Sim é sim e não é não. Talvez é palavra que usam com humildade, quando percebem que não poderiam dizer nem sim, nem não. Os santos não mentem.

Algumas pessoas são santas porque souberam escolher e ser escolhidas. Muitas de nossas mães são santas porque foram se santificando ao consagrar seus corpos e suas mentes aos filhos que geraram e ao marido que amaram, Também os nossos pais. Descobriram a fidelidade. Não houve e não há troca-troca neles. Seu sim foi sim e o seu não foi não e o seu talvez foi talvez. Eles são quem são assim como Deus é quem é.

Os santos descobriram o essencial. Aceitaram e aceitam o periférico da vida, mas abraçaram o transversal. No dizer das coletas das nossas missas " não desprezaram o que passa, mas abraçaram o que não passa". Não são nem serão pessoas tangenciais, como aquelas que, diante das dificuldades, fogem, escapam, desviam, mudam de rebanho ou de lado, trocam de trilho, saltam sem nenhum drama de consciência para outro estado de vida, mudam de estrada, de condução.

Para os santos, por mais difícil que seja a vida, não vale o seu projeto pessoal. Valem os outros. Se alguém tiver que sofrer, sofrem eles. São pessoas sólidas e vão fundo. Por isso é que são santas. São confiáveis. Ergueram casa sobre a rocha. Às vezes nem parecem santas, mas são. Você pode confiar nelas. Elas não trocarão você por outras. Não correrão atrás da mais nova onde, do mais novo sucesso e da mais recente novidade. Não são fundamentalistas, nem conservadores, nem inovadores, nem novidadeiros. Examinam cuidadosamente cada situação, pesam, cogitam e decidem não porque todo mundo foi lá, mas porque o antigo ou o novo fazem sentido. Tiram sabedoria do baú velho e do baú novo. (Mt 13,52) Sabem o que fazer com os remendos e com as roupas e os odres novos ou velhos. (Mt 9,17) Misturam o que podem misturar e separam o que não se mistura.

Sanctus vem de sancire, sancionar, selar, escolher, marcar. Como dizem os católicos nas missas, relembrando os seus irmãos falecidos, estão "marcadas com o sinal da fé". Viveram e morreram tentando entender o mistério, mas nunca tiveram pressa em proclamar o que não assimilaram direito.

* Pe. Zezinho, scj, cantor, compositor e escritor.

Fonte: Pe. Zezinho, scj

 

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