Quarta feira de Cinzas: Iniciar com o pé direito

Nilo Luza *

Todo ano, na quarta-feira de Cinzas, é-nos apresentado o texto do Evangelho de Mateus que trata da caridade, da oração e do jejum. Três práticas muito preciosas para o povo judeu do tempo de Jesus e também para nós hoje. Alicerçados sobre esse tripé, estamos iniciando a Quaresma - tempo propício de preparação para a maior festa cristã, a Páscoa.
A caridade ou esmola é a preocupação que devemos ter para com nosso semelhante, principalmente o necessitado. É a abertura à solidariedade com aqueles que sofrem alguma necessidade. A esmola não é tão-só um trocado dado ao mendigo que se encontra nas ruas das cidades. Não podemos nos contentar apenas com esse gesto simples de dar esmola; ela é importante para quem precisa, mas, mais do que isso, deve nos lembrar do compromisso que temos com a libertação do sofredor e do nosso inconformismo com o sistema que concentra a renda e impede uma partilha justa dos bens.

A oração nos relaciona com Deus e com a natureza, que é obra de suas mãos e nos fala dele. Deus é nosso Pai e criador. Dele aprendemos como lidar com nossa vida e com a vida dos irmãos e irmãs. Como filhos e filhas, a ele pedimos, agradecemos e louvamos, fortalecendo nossa fé. Nossos pedidos devem contemplar principalmente o que invocamos no pai-nosso: venha o teu reino e seja feita a tua vontade.

O jejum, um pouco esquecido em nossos dias, ainda tem seu valor. Ele é mais do que simplesmente se abster de algum tipo de comida em alguns dias durante o ano. Jejuar é privar-se de algo que julgamos importante e não apenas do que nos sobra. O jejum fortalece nosso autodomínio, leva-nos a cuidar da saúde e a não desperdiçar e nos livra do consumismo desenfreado.
Se levarmos a sério essas três práticas, poderemos perceber que elas como que englobam a totalidade da vida: nossa relação com os outros (caridade), com Deus e com a natureza (oração) e com nós mesmos (jejum).

* Padre colunista do Semanário Litúrgico O Domingo

Fonte: O Domingo

 

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