Evangelizar "na outra margem"

Jaime Carlos Patias *

O 2º Congresso Missionário Nacional reuniu, entre os dias 1º e 4 de maio, em Aparecida e Guaratinguetá, SP, cerca de 600 pessoas representando os 17 regionais da CNBB, as forças vivas e os organismos missionários do Brasil. O evento conseguiu também, pautar os meios de comunicação que noticiaram a sua realização, encaminhamentos e temas abordados. A programação de forma pedagógica foi organizada em quatro etapas, sincronizadas entre si: o Dia do Caminho, o Dia do Encontro, o Dia da Partilha e o Dia do Envio.

Os trabalhos do primeiro dia concentraram-se na simbologia do Caminho feito pelos participantes para chegar até Aparecida, como uma experiência espiritual e mística de fundamental importância na Missão. As delegações vindas de todo o Brasil se reuniram como povo peregrino, caminhante, na simplicidade e na pobreza, no provisório e na busca do definitivo. O missionário vive a espiritualidade do caminho. Jesus dá-se a conhecer caminhando (cf. Lc 24,15), justamente porque Ele é o Caminho (Jo 14,6).

Mas o Congresso em si não era o ponto de chegada. Caminhando Jesus encontrava-se com pessoas vivendo as mais diversas situações. No segundo dia os participantes, viveram o Dia do Encontro, da reflexão e aprofundamento das questões que desafiam a Missão hoje. Como Jesus, ao aproximar-se dos discípulos de Emaús, aquece seus corações, explicando, a partir das Escrituras, os fatos sobre os quais estavam falando, também os congressistas buscaram compreender sua caminhada missionária à luz da Palavra de Deus. Para tal, contaram com a colaboração de assessores, os missiólogos, padres Paulo Suess e Agenor Brighenti, e o Frei Santiago Ramírez, da Comissão Teológica do 3º Congresso Missionário Americano - CAM 3 - Comla 8, a realizar-se em Quito, Equador, em agosto deste ano.

Os assessores resgataram da Constituição Pastoral Conciliar Gaudium et Spes e da Conferência de Medellín, que está completando 40 anos, a concepção da humanidade como uma família humana universal, a opção pelos pobres e a missão Ad Gentes como missão para humanidade. Após o almoço, já no Colégio do Carmo em Guaratinguetá, organizados em 12 mutirões de aprofundamento sobre temas relacionados à missão, os participantes puderam contribuir com suas experiências. O resultado partilhado em plenário recolheu valiosas propostas para a conversão pastoral e renovação missionária das comunidades.

No sábado, dia 3 de maio, foi o Dia da Partilha, uma oportunidade para ouvir os testemunhos de vivências e projetos de 8 missionários e missionárias que estiveram na Amazônia e nos confins da Terra: no Timor Leste, Coréia do Sul (Ásia); na Guiné Conacrí e Moçambique (África). Os relatos de vivências na missão além fronteiras foi uma das marca do Congresso, proporcionando uma harmonia entre a reflexão, o aprofundamento e a prática missionária.

Enfim, os discípulos missionários chegaram no domingo com o coração aquecido pela chama da missão aqui e além, podendo então viver o Dia do Envio. O encontro com Jesus ressuscitado no caminho revigora o ardor dos discípulos, que partem imediatamente para anunciar a Boa-Nova que seus olhos viram e seus ouvidos ouviram.

As comunidades cristãs encontram-se inseridas no processo de conversão pastoral e renovação missionária proposto pelo Documento de Aparecida. Historicamente, como comunidades seguidoras de Jesus reúnem características martirial, profética e missionária. Por isso, não devem, sob nenhuma hipótese, fecharem-se sobre si mesmas. A fé se fortalece quando é partilhada além das fronteiras. A Igreja no Brasil, que tanto recebeu, poderia dar mais de si na Missão para a humanidade.

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