Brasil: a mineração é a raiz dos problemas nas terras Yanomami

De acordo com o missionário da Consolata irmão Carlo Zacquini, aos 59 anos de atuação em terras indígenas, a serviço dos Yanomami, em Roraima, a causa de todos os males para os povos da floresta e o Meio Ambiente, nas terras Yanomami é a exploração por meio da mineração
Por Rosa Martins

Gripe, malária, desnutrição, estupros, mortes e destruição do Meio Ambiente. Essas são as ameaças mais concretas à sobrevivência das comunidades indígenas Yanomami no norte do Brasil, segundo notícias da Reuters nesta segunda-feira 22 de janeiro. No coração da floresta amazônica, suas terras estão ameaçadas pelas constantes invasões de garimpeiros ilegais, que, além da violência, trazem consigo doenças letais para esses grupos ancestrais na área próxima à fronteira com a Venezuela. Mais de 300 pessoas morreram em 2023, 50% crianças com menos de quatro anos de idade.

 

O missionário da Consolata, irmão Carlo Zacquini (de 86 anos), há 59 anos atua em terras indígenas, especificamente a serviço dos Yanomami, em Roraima. Ele confirma os dados divulgados sobre as mortes e contaminações, como consequência das invasões pelo garimpo ilegal. “Lamentável, mas verdadeiros os dados relacionados à morte e doenças entre os Yanomami. Nos últimos anos foi visível o incentivo a atividades contrárias à lei em terras indígenas e o descaso com a proteção deles”, afirma.

As consequências da mineração para a natureza e os povos 

De acordo com Zacquini, o real problema é a exploração das terras indígenas por meio da mineração. Esta atividade tem consequências drásticas para o Meio Ambiente e os povos da floresta. “Estão destruindo as matas, envenenando os rios com mercúrio, destruindo o Meio Ambiente e a vida tradicional do povo Yanomami. Estupro, corrupção, introdução de doenças, e destruição dos recursos alimentares e a cultura deste povo”.

Ainda de acordo com o missionário, embora tenha havido um esforço considerável para preservar a natureza e os povos por parte do governo brasileiro, os resultados são insatisfatórios. “Não obstante a dedicação heróica de alguns trabalhadores da saúde que foram ameaçados e colocam suas vidas em perigo para trabalhar em áreas de difícil acesso, sem estruturas mínimas”, enfatiza.

Irmão Carlo Zacquini, IMC, no Centro de Documentação Indígena (CDI). em Boa Vista, RR. Foto: Arquivo IMC

Irmão Carlo Zacquini, IMC, no Centro de Documentação Indígena (CDI). em Boa Vista, RR. Foto: Arquivo IMC

Um Centro de Documentação Indígena (CDI) para conservar a história e a memória

Nascido em Varallo, Vercelli, Itália, em 1937, o irmão Carlo Zacquini se mostra incansável na defesa da vida dos povos e da floresta.  Ele fez parte da Comissão pela Criação do Parque Yanomami, que resultou, em 1992, na demarcação da Terra Indígena (TI) Yanomami, ao norte do Brasil. Trata-se de uma área de 96.649 km quadrados.  Aos 86 anos, ele tem energia de sobra para coordenar em Boa Vista o Centro de Documentação Indígena (CDI), criado pelo religioso. Um vasto acervo de materiais que conservam, em texto e imagens, a história dos povos indígenas em Roraima.  “O objetivo do centro de documentação - explica - é preparar os indígenas e não indígenas, as pessoas que vivem nesta região para entender melhor a problemática e, consequentemente, mudar a atitude da sociedade local em vista do respeito e da valorização destes povos indígenas”, conclui.

Fonte: Vatican News

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