15 paróquias de Tigray ocupadas por forças armadas

O Eparca de Adigrat, na Etiópia, informou que 15 paróquias em Tigray estão inacessíveis devido à ocupação das forças armadas, e a situação humanitária continua sendo crítica.

Por Redação

A população de Tigray, na Etiópia, está enfrentando condições seriamente críticas durante a celebração da Páscoa, neste domingo (16). Apesar da assinatura de um acordo de paz em novembro de 2022 entre o governo de Addis Abeba e as organizações separatistas da região (veja Agência Fides 03/11/2022), a situação no país ainda é precária.

"Seguindo o calendário da Igreja copta ortodoxa etíope, celebraremos a Páscoa no domingo, 16 de abril", declarou à Agência Fides Tesfaselassie Medhin, bispo da eparquia católica de Adigrat. "Infelizmente, a situação continua muito crítica, já que 15 paróquias da região estão inacessíveis devido à ocupação das forças armadas."

O Eparca pediu que as orações continuem por toda a população etíope e, em particular, por Tigray, onde novos deslocados internos continuam chegando. Segundo a imprensa local, 47.000 novos deslocados internos foram registrados no campo de refugiados de Endabaguna, perto da cidade de Shire, no noroeste de Tigray.

"No último mês, mulheres, meninas e crianças deslocadas abandonaram as áreas - chamadas woreda - de Maigaba, Tselemti, Korarit, Welkayit e Qafta, sob a ocupação das forças amhara", disse o administrador em exercício de Endabaguna, Getu Dejen. "A ajuda humanitária, alimentos e medicamentos não chegam a Endabaguna. As pessoas vivem de esmolas. Elas fugiram devido à violência dos grupos armados contra mulheres e meninas e aos crimes contra os tigrínios."

De acordo com Getu, no início de março, havia cerca de 8.000 deslocados internos no campo, número que aumentou para 47.000 nas últimas semanas. Apesar de terem informado sua situação a várias ONGs e agências humanitárias, ainda não receberam nenhuma resposta significativa. Os deslocados não têm alojamento adequado e vivem em condições que colocam suas vidas em perigo, com crianças e mulheres mendigando comida nas ruas. O administrador da zona noroeste de Tigray, Surafel Araya, também confirmou isso e pediu que as agências envolvidas prestem a devida atenção aos novos deslocados.

A questão dos deslocados internos ainda é um desafio para a recém-formada administração provisória de Tigray, onde, apesar dos relatórios de melhoria do fluxo humanitário para a região após o acordo de paz, ainda há falta de ajuda adequada. Em janeiro de 2023, por exemplo, mais de 54.000 deslocados internos alojados no campo de Abiy-Adi, no centro de Tigray, sofriam com uma grave escassez de alimentos e medicamentos.

Com informações da Agência Fides.

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