Propostas para o ano de São José

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No quarto e último episódio da reflexão sobre o Ano de São José, convocado pelo papa Francisco com a carta apostólica Patris Corde (com o coração de pai), padre Alfredo J. Gonçalves, missionário scalabriniano e vice-presidente do Serviço de Proteção ao Migrante, discorre sobre algumas propostas para vivenciarmos o Ano dedicado ao Pai adotivo de Jesus.

Josés, com efeito, são pessoas pouco vinculadas a castelos e fazendas. Normalmente habitam tendas. Conhecendo de perto a transitoriedade e a provisoriedade dos bens terrenos, desenvolvem a natureza ambígua das riquezas: ou se agarram ao pouco que possuem, lutando com unhas e dentes para ter mais, ou amadurecem um despojamento que os torna mais leves e livres. Neste último caso, José aprendeua lição de depurar a mala e a alma, para caminhar com um fardo menos carregado de coisas supérfluas. O brilho aparente esconde a corrupção interna.

Ao contrário daqueles que nascem em berço de ouro e a ele se agarram, os Josés, e entre estes os migrantes em especial, tendem a maior abertura quanto ao futuro. Preparam-se para as surpresas do destino pessoal e coletivo. Particularmente em momentos de crise e tempestades, enquanto os que moram em castelos e fortalezas correm a se abrigar no berço dourado e saudoso da infância, os Josés costumam ser impelidos para a linha da fronteira, a encruzilhada. Os primeiros, com o coração preso aos tesouros acumulados, lutam a todo custo para mantê-los; os segundos, de mãos calejadas, avançam sobre as vicissitudes que lhes reserva a existência.

Tendem, portanto, a rasgar veredas novas, a se aventurarem por desertos áridos, pois nada têm a perder. Das duas uma: ou se imobilizam pelo medo ouangústia da misériajá experimentada na carne e na alma, agarrando-se mesquinhamente a qualquer migalha; ou se lançam intrépidos à luta por algo novo e diferente. Neste caso, a coragem lhes é praticamente inata. Mas com muita raridade terão seu nome gravado nos jornais. Em geral não são mártires abatidos a tiro, de nome no calendário, de folha na parede. Vivem, antes, um martírio de gota a gota, passo a passo, miúdo e diário, onde uma travessia dura e teimosa substitui as ações vistosas, sensacionais e espetaculares. Espera-os, sim, o martírio anônimo do cotidiano: não o verniz de uma aparência para “inglês ver”, mas uma coroa com que só o Pai pode recompensar.

Fonte: Missões, a Missão no Plural

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