Diocese de Campos (RJ) faz acolhimento de população em situação de rua

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Por Ricardo Gomes*

Missão Bom Samaritano iniciou de um sonho que aos poucos se tornou realidade e é o lugar da acolhida e de amor aos mais vulneráveis da sociedade. Homens e mulheres invisíveis que percorrem as ruas da cidade de Campos dos Goytacazes, Norte do Estado do Rio de Janeiro. Esquecidos encontraram na Missão um lugar que os recebe para acolher e cuidar. Tudo se resume numa palavra: amor.

Ganham nomes e são vistos. Recebem o pão e partilham os dons. Francisco revela seu talento musical. Um canto de dor e de esperança. E pela primeira vez é ouvido. Canta para espantar o mal que aflige a toda sociedade. É convidado a ficar em casa. Mas sua casa é o mundo, as ruas. Sem teto e paredes encontra abrigo às marquises, e pelas ruas espalha um canto de dor. Falta a ele uma coisa: amor.

A Missão O Bom Samaritano surgiu como uma iniciativa do Dia Mundial dos Pobres no Santuário Diocesano de Adoração. O bispo de Campos, Dom Roberto Francisco Ferreria Paz, destaca que, por estar localizado nas proximidades do centro da cidade de Campos dos Goytacazes (RJ), concentra pobres, transexuais e todas as minorias excluídos e aqueles que não se vê na sociedade. Pe. Moises de Mello, vigário auxiliar na Catedral, conseguiu organizar um serviço que se chama O Bom Samaritano com participação de leigos da comunidade Alegria da Cruz, a RCC e os moradores de rua que fizeram liderança, por serem os protagonistas.

Dom Roberto fala sobre o serviço da Igreja dedicado aos pobres. “Nos queremos que o Santuário de Adoração possa contemplar a Cristo na carne dos pobres, da população de rua. Não haveria coerência um cristianismo que adore ao Santíssimo Sacramento se ao mesmo tempo não ama e não serve aos pobres nos quais está Cristo. Então o Santuário de Adoração é um santuário de acolhida e a casa dos moradores de rua e muito mais que fazer coisas é acolher as pessoas e dar espaço para elas falarem e se organizarem e conhecerem seus direitos. Os direitos dos moradores de rua e serem a memória viva de uma pastoral que é resistente e não tira a beleza da cidade que pertence a todos. Longe de enfeiar a nossa cidade mostram as fragilidades e são profetas da nossa cidade e por isso temos de ouvi- los e escuta-los e dar o espaço porque a Igreja é deles. Não seria a igreja de Cristo se eles não tiverem lugar e por isso a Pastoral do Samaritano não só busca retirar da cultura da morte os moradores de rua, mas dar dignidade de folhos de Deus. Ninguém pode tirar essa dignidade deles e também conversar com as autoridades e dialogar com os empresários para abrir canais de participação e decisão que possa os direitos deles e dar sempre uma oportunidade de sem renunciar sua identidade de serem interlocutores e sujeitos de sua própria história”, declara o bispo.

Pe. João Paulo Rodrigues, Reitor do Santuário, destaca a participação dos voluntários. “Quero agradecer aos benfeitores e amigos do Santuário, que têm nos ajudado ao máximo. Os voluntários têm se desdobrado. Nos últimos dias temos atendido mais famílias mais carentes. Mas para que o trabalho permaneça contamos com a sua ajuda, a sua colaboração e generosidade. Estaremos com a porta lateral aberta a partir das 12h até as 16h”, ressalta Pe. João Paulo Rodrigues.

A Missão Bom Samaritano tem a finalidade de acolher os irmãos em situação de rua em um ambiente adequado, proporcionando o mínimo de dignidade. Através do apoio de voluntários oferece banho, necessidades fisiológicas, corte de cabelo, roupas, entre outros serviços. As doações de roupas masculinas e de frio, tênis e sandália, escovas de dente, barbeadores descartáveis e desodorantes podem ser entregues diretamente no Santuário Diocesano Eucarístico (Praça Batalhão Tiradentes, Centro – Campos dos Goytacazes).

* Assessor da Pastoral da Comunicação

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