Viva Nossa Senhora Consolata!

20 de junho é dia de festa para os Missionários e as Missionárias da Consolata, celebrada nos quatro continentes onde atuam.

Por Jaime C. Patias

Há séculos Nossa Senhora é venerada na cidade de Turim, na Itália com o título de Consolata. O Bem-aventurado José Allamano, que por 46 anos foi reitor do bonito Santuário a ela dedicado, revitalizou a devoção à Virgem Consolata.

Com o fogo da Missão ardendo no coração, em 1901, Padre Allamano fundou o Instituto dos Missionários da Consolata e em 1910 a Congregação das Irmãs Missionárias da Consolata. Portanto, a semente que deu origem à árvore do Instituto, na qual estamos enxertados pela vocação missionária, foi fecundada no coração de um Padre diocesano, repleto de amor por Jesus Cristo na Eucaristia, inflamado de zelo pela missão, grande devoto de Nossa Senhora. A árvore da nossa Família nasceu pequena, à sombra do Santuário da Consolata, em Turim, e foi cultivada carinhosamente pela Mãe da Consolação – a Jardineira do Espírito Santo, cresceu e deu muitos frutos.

nossasenhoraconsolata1 Mas, por que celebrar a Festa da Consolata? O Bem-aventurado Allamano nos legou uma identidade. E explicava: Nossa Senhora é uma só, mas tem muitos títulos; vós, porém, deveis honrá-la de modo especial sob o título de “Consolata”. Esta é a nossa Identidade: Consolata como nome e sobrenome. Nós somos consolatinos. O Instituto é obra sua. Por isso, a Solenidade da Consolata, em 20 de junho, é nossa festa, é toda particular nossa.

Em todo o mundo, a Eucaristia de Ação de graças é celebrada em comunhão com todos os missionários e missionárias, as comunidades, paróquias, casas e obras, com familiares, amigos, grupos, benfeitores, voluntários, leigos e leigas. É também uma oportunidade para reconhecer e agradecer a cada um pela dedicação. As comunidades em Portugal são muito generosas. Quantos projetos já apoiaram nas nossas missões. Em nome de toda a Direção Geral e de tanta gente, o meu muito obrigado.
Ao celebrar a nossa Mãe, fazemos memória de nossas origens e renovamos a nossa consagração para a missão com um olhar no futuro.

Rezemos por algumas situações das nossas missões, como na Venezuela, R. D Congo, Tanzânia (100 anos), Moçambique, Angola, Quênia e Madagascar (última a receber o IMC). Unimos corações com os povos indígenas da Amazônia (na realização do Sínodo especial), os povos da África e da Ásia. Os migrantes e refugiados que pedem acolhida e respeito na Europa e no mundo.

O convite do Profeta Sofonias (Sf 3,4-18) na 1ª leitura retrata bem o espírito de alegria e esperança com o qual somos convidados a celebrar a Consolata. “Solta brados de alegria, filha de Sião! Solta gritos de júbilo! Alegra-te e rejubila-te de todo o teu coração, filha de Jerusalém! O Senhor afastou o teu inimigo”. O Senhor, está no meio de ti como um Salvador; não conhecerás mais a desgraça”. Estas são palavras que celebram o Dia do Senhor: a libertação e a salvação de um povo resgatado. É um cântico de esperança na restauração dos habitantes de Jerusalém. Prefigura a Salvação - Consolação anunciada a todas as nações, justamente o lema dos missionários da Consolata. “Anunciarão a minha glória aos povos!”

Esse sentimento de alegria e gratidão continua na 2ª Carta de São Paulo aos Coríntios que justamente transforma a ação de graças em uma bênção de louvor pela Consolação- Salvação recebida. É dirigida ao Pai de N. Senhor Jesus Cristo, Pai de misericórdia, fonte de consolação pela mediação de Cristo.
O Apóstolo Paulo que está associado ao mistério de Cristo, pelo sofrimento e consolação, se torna ele mesmo um consolador. “Ele nos consola em toda a nossa tribulação, para que também nós consolemos aqueles que estão em qualquer tribulação mediante a Consolação que nós recebemos de Deus”. Consolados para consolar, e ao consolar, nós também somos consolados! Eis a nossa participação na Missão de Deus. Somos “Missão consoladora de Deus para que o mundo experimente a Consolação.

No Evangelho Segundo Lucas (Lc 1, 26-38) o texto da Anunciação (que precede a Visitação de Maria a Isabel) escolhido para a Solenidade da Consolata, três palavras resumem a atitude de Maria: escuta, decisão, ação; palavras que indicam um caminho também para nós diante do que Deus nos pede. Meditemos sobre Maria que escuta, inspirados em uma reflexão do Papa Francisco.

De onde nasce a decisão de Maria de dizer Seu SIM diante do anúncio do Anjo? Maria fez um discernimento da vontade de Deus. Não é um simples “ouvir” superficial, mas é a “escuta” feita de atenção, de acolhida, de disponibilidade para com Deus..

Maria também escuta os fatos, está atenta à realidade concreta. Ela não para na superficialidade, vai no profundo, para captar o significado. A parente Isabel, que é já anciã, espera um filho: esse é o facto. Mas Maria está atenta ao significado, sua sensibilidade de mulher sabe captá-lo: “Nada é impossível para Deus” (Lc 1, 37). Isso também é verdade em nossas vidas: Precisamos escutar Deus que nos fala, e escutar também a realidade cotidiana, dar atenção às pessoas.

Uma segunda palavra chave na vida de Maria é Decisão. Ela não vive “com pressa”, com ansiedade mas, “medita todas estas coisas no seu coração”. Mas não para nem mesmo no momento da reflexão; dá um passo adiante: decide e isso mudará a sua vida: “Eis aqui a serva do Senhor…” (cf. Lc 1,38).
O Evangelho mostra que Maria na Anunciação, na Visitação, nas bodas de Caná, ao pé da Cruz, vai contra-corrente; coloca-se na escuta de Deus e decide confiar totalmente na sua Vontade.

Mas uma terceira característica em Maria é a Ação, feita Missão: Ela partiu... “foi às pressas…” (cf. Lc 1, 39). Não vive às pressas, mas quando é necessário “vai às pressas”. Neste sair da sua casa, de si mesma, Maria leva o que tem de mais precioso: a verdadeira Consolação- Jesus Salvador. Eis a Missão.
Às vezes, nós paramos na escuta, na reflexão, nas celebrações. Talvez até tenhamos clara a decisão que devemos tomar, mas nos falta a coragem para a ação. Ficamos no nosso esquema de sempre: a rotina, a repetição, a resistência. Não nos movemos “às pressas” em direção aos outros. Em direção às periferias como Igreja em Saída conforme insiste o nosso Papa Francisco. Demoramos para nos lançar à missão ad gentes que é o carisma herdado do Fundador como Missionários da Consolata.

Por isso, celebrar a Consolata é fazer memória da escuta, da decisão e da ação de Maria na missão entre os povos que servimos. Quanta sementes espalhadas nos corações e em vastos territórios! É fazer memória dos mais de cem anos de história e recordar os 950 missionários e as quase 600 missionárias, os LMC e voluntários, presentes em mais de 30 países e 4 continentes. Em Portugal, desde a chegada do P. João de Marchi, há 75 anos, e em todo o mundo, quanta generosidade e doação e serviço. Deus seja louvado!

Celebrar a Consolata, é revitalizar e permanecer fiel ao carisma, é reforçar a identidade, o que o nosso nome significa: Consolata. É não perder de vista o futuro e continuar a sonhar com novas presenças, obras e muitas vocações.

Agradecemos tudo o que somos a Deus e confiemos nossa vida à materna proteção de Maria, consoladora dos aflitos. Assim seja.

*Jaime C. Patias, imc, é Conselheiro Geral para o continente americano.

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