O Estado não é uma igreja, diz dom Walmor

Nós temos que ser honestos, justos e solidários, afirma o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

Por Marcos de Moura e Souza

"Saúde e paz, saúde e paz." O arcebispo de Belo Horizonte vai repetindo lentamente os votos aos seminaristas e padres que param para cumprimentá-lo. Alguns o abraçam. Outros, os mais jovens, beijam sua mão. Dom Walmor Oliveira de Azevedo acaba de chegar ao novo seminário Convivium Emaús, erguido há pouco mais de um ano em um bairro de casas modestas na capital de Minas Gerais. Foi ele mesmo quem desenhou o prédio, os jardins e até a posição do campanário com três sinos de bronze e a cruz estilizada ao alto. Uma arquiteta contratada deu depois contornos profissionais ao projeto.

domvalmor2Não era aqui onde o arcebispo e recém-eleito presidente da instituição que congrega os bispos da Igreja Católica no país, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), queria ser entrevistado para este "À Mesa com o Valor". Sua primeira opção havia sido almoçar no Santuário Nossa Senhora da Piedade, na Serra da Piedade, na cidade de Caeté, região metropolitana. O santuário fica a 1.746m de altura. É um lugar de peregrinação de fiéis, significativo para dom Walmor. Recentemente, ele criticou integrantes de um dos órgãos ambientais de Minas por terem concedido licenças para que uma mineradora, a AVG, pudesse explorar minério de ferro na serra.

"Não é possível que as sucessivas e recentes tragédias ocorridas em Minas Gerais sejam ignoradas a ponto de se correr o risco de repeti-las", diz o arcebispo no vídeo de 4,34 minutos postado nas redes sociais. Na gravação, ele classifica a decisão de "lamentável, pouco lúcida". E acrescenta: "A única coisa evidente é o interesse pelo dinheiro, a ganância pelo dinheiro, a idolatria do lucro". João Pedro Stédile, do MST, foi um dos que retuitaram o vídeo. Margarida Salomão, deputada federal pelo PT de Minas, também. Por praticidade, o religioso acabou remarcando a entrevista para o seminário de Belo Horizonte, poucas semanas após sua eleição para a CNBB. Assim que seu nome foi anunciado, jornalistas questionaram se ele é de esquerda ou de direita. Mas o arcebispo de Belo Horizonte rejeita enquadramentos ideológicos. Seus amigos preferem classificá-lo como um homem de centro.

O novo presidente da CNBB veste calça e paletó pretos, camisa branca com gola de padre e um grande crucifixo prateado no peito, chamada de cruz de peito. Os sapatos também são pretos e lustrosos. Depois dos primeiros cumprimentos, chega ao refeitório do seminário e entra na fila para se servir no bufê de aço inox. Uma plaquinha na entrada indica o o nome do lugar: Espaço de Convivência Bodas de Caná.

Ele faz um prato com salada de folhas e tomate cereja, farofa, batata doce assada e lombo de porco. Acompanhados pela assessora da arquidiocese, Ana Maria Rezende Miranda, sentamos a uma mesa perto de uma grande janela com vista para o jardim. São 12h40 de uma sexta-feira de maio. Quase todas as outras mesas estão ocupadas. É um salão não muito grande com mesas com tampo de fórmica branca e cadeiras anatômicas de plástico cinza. Um crucifixo e uma imagem de Nossa Senhora da Piedade decoram uma das paredes - que são pintadas até meia altura de marrom e o resto de branco.

Antes da primeira garfada, dom Walmor faz o sinal da cruz. Conta que retornou há pouco de Tegucigalpa, Honduras, onde participou da 37ª assembleia do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam). O arcebispo comenta que há uma preocupação em comum dos bispos latino-americanos com quem havia se encontrado. "A importância de fortalecer o caminho que neste momento o papa Francisco indica para a igreja", diz ele, com sua voz grave. "Uma igreja mais próxima, que possa de fato ajudar o mundo a se abrir mais para o amor de Deus."

Escolhido papa em março de 2013, o jesuíta argentino Jorge Mario Bergoglio costuma ser visto como um pontífice de mudanças e de abertura. Tem provocado críticas entre clérigos católicos conservadores e ultraconservadores por suas posições e declarações. A mais recente demonstração de descontentamento dessa ala veio a público há algumas semanas, em em um texto assinado por um grupo de 19 padres e acadêmicos que pedem aos bispos que acusem o papa de heresia. Algumas das razões mencionadas na carta são a postura de Francisco, que os ultraconservadores consideram leniente com os homossexuais e muito aberta aos divorciados. Outra crítica diz respeito aos gestos de diálogo e de acomodação do papa em direção aos protestantes e aos muçulmanos. No ano passado, em outra mostra dos acirramentos no interior da igreja, o ex-embaixador do Vaticano em Washington, o arcebispo Carlo Maria Vigano, defendeu que Francisco renunciasse.

Dom Walmor parece não querer dar asa a essa polêmica. Observa que, de modo geral, a igreja não tem dificuldades de abraçar temas que são da sociedade, "do mundo em que nós estamos vivendo". "A igreja entra no coração da sociedade sabendo da pluralidade dos desafios, mas sempre muito convicta dos valores e da moralidade inegociáveis."

Uma mulher vem da cozinha sorridente e coloca uma jarra sobre a mesa: "Suquinho de limão", anuncia. Ele retoma seu raciocínio e diz que a corrupção é um desses valores inegociáveis. "Um dos pontos que atingem de modo muito forte a nossa sociedade à luz da doutrina social da igreja é a importância de sermos uma sociedade mais justa e solidária, portanto, na contramão de todo tipo de corrupção", diz. Para ele, esse é um desafio que atinge e prejudica o conjunto da sociedade. "A corrupção, como nós temos acompanhado. Esse é um ponto para a igreja inegociável. Nós temos que ser honestos, justos e solidários."

Formulada nos anos 60, a doutrina social da igreja não tem cor ideológica, segundo dom Walmor, embora no Brasil e na América Latina ela tenha sido entendida no passado como irmã do ideário de esquerda. "A doutrina social da igreja é uma riqueza que ultrapassa qualquer tipo de ideologia de esquerda, de direita ou de centro." Enquanto ele fala, com a comida ainda mal tocada no prato, três padres mais velhos se aproximam. Um deles, bem-humorado, tenta interrompê-lo, mas dom Walmor não permite e diz em cima para se fazer ouvir: "Estamos falando aqui de doutrina social da igreja, estamos falando de doutrina social da igreja, que é algo fundamental para a nossa sociedade encontrar mais equilíbrio."

O padre, então, muda o tom e diz, seriamente, antes de se retirar, com qual papa e em qual encíclica a doutrina social tomou forma, em 1961: "João XXIII, Mater et Magistra". Além de seminário, o Convivium também serve de casa para padres idosos que já não atuam mais regularmente em nenhuma paróquia e que não têm onde morar. Aqui dividem espaço com com os estudantes.

Nascido na cidade baiana de Côcos, em 1954, dom Walmor conta que sentiu vontade de ser padre pela primeira vez aos 8 anos de idade. "Aos 11 anos, ingressei no seminário, chamado naquele tempo de seminário menor. Era um caminho não muito natural. Na minha cidade não tinha padre residente. Também não era um caminho natural porque não tínhamos outros jovens que estivessem no seminário." Não houve nenhum momento especial de revelação, de chamamento, diz. "Tudo muito normal, tudo muito natural. Mas algo que me tocava era o desejo de ser padre nessa perspectiva de querer repartir a palavra de Deus."

O arcebispo fala e come lentamente. Um pedaço de lombo misturado com farofa. Depois um pouco de salada e batata. A mesa é básica: não há toalhas ou guardanapos. Os talheres ficam pousados no prato enquanto ele conversa. Neste momento da entrevista, há um zum-zum-zum de conversas e tilintar dos talheres nas mesas ao redor.

Da Bahia, o então jovem Walmor seguiu para estudar nas universidades de São João Del-Rey e de Juiz de Fora, ambas em Minas. Em 1977, foi ordenado sacerdote. Mais tarde, em Roma, obteve um mestrado e depois um doutorado em teologia bíblica. Foi professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); da PUC de Belo Horizonte e da PUC do Rio. Em 1998, tornou-se bispo auxiliar de Salvador e, em 2004, arcebispo metropolitano de Belo Horizonte.

Foi em 2009 que o papa Bento XVI nomeou dom Walmor membro da Congregação da Doutrina da Fé, o antigo Santo Ofício dos tempos da Inquisição. Enquanto corta mais um naco de carne de porco, ele descreve como percebe o ambiente entre os integrantes da congregação (a reserva doutrinária do catolicismo) em relação ao papa Francisco e suas posições mais abertas.

"Não sinto absolutamente na Congregação da Doutrina da Fé, no seu funcionamento, nenhuma polarização e nenhum posicionamento na contramão do papa Francisco. É o que eu sinto no clima da congregação neste momento", diz ele, com o indicador direito semiflexionado perto da boca, pontuando suas frases com um leve meneio da mão, gestos que se repetem várias vezes no almoço.

Em 2016, o papa Francisco escreveu, em sua exortação apostólica "A Alegria do Amor" - que serviu de combustível para críticas conservadoras -, que "cada pessoa, independentemente da própria orientação sexual, deve ser respeitada na sua dignidade e acolhida com respeito" e que as famílias com integrantes "com tendência homossexual possam dispor dos dispor dos auxílios necessários para compreender e realizar plenamente a vontade de Deus na sua vida". O matrimônio, no entanto, continua sendo apenas para casais heterossexuais, segundo o papa.

"Obviamente que o papa Francisco nos desafia muito", diz dom Walmor, por trazer temas que não são novos, "mas que estão aí" e recolocados à mesa. São orientações e respostas, uma "formação que precisa ser feita para pessoas que têm essa necessidade, como é a consideração conjunta do povo de Deus", observa.

Para o arcebispo, é injusto pensar que Francisco põe esses temas para mudar a doutrina, "para mudar o seu verdadeiro sentido e a orientação que a igreja sempre teve". Segundo ele, o papa traz para o existencial a questão de dar para todas as pessoas a possibilidade de serem ouvidas, "de poderem se encontrar com a palavra de Deus, serem acolhidas na igreja". Mas nunca, diz, há possibilidade de negociar "aquilo que é inegociável na doutrina e no ensinamento da igreja".

Dom Walmor já esteve com o papa algumas vezes na Congregação da Doutrina da Fé e uma vez, há cerca de quatro anos, numa audiência particular. Recentemente Francisco doou sua cruz de peito para as famílias vítimas da tragédia provocada pela mineradora Vale em Brumadinho. A peça será colocada em um memorial na cidade que foi desenhado por dom Walmor. A cidade é uma das que estão na área de atuação da arquidiocese de Belo Horizonte e o arcebispo liderou uma campanha de ajuda à região.

Diante do prato e do gravador, dom Walmor fala mais do que se alimenta. Um desconforto na cervical limita um pouco o movimento do pescoço e compromete um pouco a habilidade de mastigar. Diz ter a ver com a posição da mandíbula, por isso está se tratando com ortodontia biocibernética.

Na igreja, no Brasil, é permitido a diáconos, padres e bispos expressarem eventuais diferenças e críticas a pontos defendidos pelo papa? "Isso não acontece porque não temos pontos discordantes com papa Francisco. Então é algo fora de cogitação porque vivemos na comunhão, no caminho de um mundo com muitas mudanças e om muitos embates, mas sempre na fidelidade àquilo que é de fato a doutrina da igreja", diz dom Walmor para logo ser interrompido mais uma vez por um rapaz que vem cumprimentá-lo. Se existem críticas vindas de Roma e de clérigos conservadores de outros países, o arcebispo encerra a questão dizendo: "Na igreja no Brasil isso não existe".

Dom Walmor é um homem treinado em comunicação. Suas respostas são longas e estudadas. Além de experiência no altar e em sala de aula, escreve artigos para jornal e tem programas de rádio e TV. Lidar com a cultura urbana, que, na visão do arcebispo, muitas vezes opta por caminhos contrários ao que prega o cristianismo, é para ele a principal dificuldade na captação de mais fiéis para o catolicismo. "Esse é um enorme desafio de linguagem, imagem, programa, proposta e, sobretudo, como é próprio na vida da fé cristã, o testemunho", diz.

O que fazer? Explorar redes sociais? Estimular mais padres a se tornarem figuras pop da música? "O Evangelho anunciado pode contar com todas as técnicas das redes, com todas as ferramentas possíveis, mas se faltar em mim e naquele que é discípulo e discípula o testemunho de uma vida autêntica, tudo pode ruir e não chegar ao seu propósito."

O prato está longe de ser concluído, mas os alimentos já esfriaram. Com a voz sempre calma, dom Walmor tenta concluir a refeição enquanto responde. Como vê a relação de Jair Bolsonaro com a religião? Apesar de definir-se como católico no registro eleitoral e incluir Deus em seu principal slogan de campanha, o presidente também foi batizado por Silas Malafaia no rio Jordão. Além disso, cercou-se de um staff pentecostal no governo e questionou se já não era hora de o Supremo Tribunal Federal ter um ministro evangélico.

"A referência que se faz a valores cristãos é importante porque, à medida que se distancia dos valores cristãos e das referências a esses valores, certamente estamos nos distanciando de uma referência fundamental para dar equilíbrio à vida", diz. "É muito importante estar no coração, sobretudo, e na boca as referências aos valores cristãos", afirma.

Seu raciocínio é cortado com a aproximação do reitor e do ex-reitor do seminário, que vieram cumprimentá-lo. Conversam por alguns instantes. Os pratos já estão vazios e uma moça que trabalha no refeitório limpa a mesa.

O tema religioso é forte no governo. Muitos políticos fazem referências frequentes a Deus e a Jesus e vocalizam frases e posições contrárias às liberdades pessoais e a minorias que alimentam muitos discursos de ódio no país. Como vê essa questão? "Não tenho dúvida, no horizonte da nossa incoerência pessoal e da nossa incompetência para estarmos à altura dos valores cristãos, de que isso acontece. Isso acontece no governo, na igreja, em todo lugar", diz. "Obviamente que o cristão não pode, em um Estado laico, reduzir ou fazer o Estado funcionar como se fosse uma igreja. O Estado não é uma igreja."

Dom Walmor defende a pluralidade e a civilidade quando indagado sobre sua visão a respeito dos elogios feitos pelo presidente a Carlos Alberto Brilhante Ustra (1932-2015), militar acusado de ter sido torturador. "O debate político é plural, é complexo, tem enraizamentos históricos muito desafiadores." O importante, diz, é manter a civilidade do debate político e a humildade de corrigir um exagero, de voltar atrás quando dizemos inverdades.

A verve quase militante que dom Walmor usou na defesa da Serra da Piedade não o acompanha aqui. O tom moderado é um dos pontos que influenciaram a inclusão de seu nome como opção para o comando da CNBB. Numa sociedade tão dividida, a ideia era evitar que essa polarização entrasse de alguma forma na entidade. Duas pessoas próximas a ele disseram à reportagem que sua atuação na campanha de solidariedade a Brumadinho e as duras queixas à mineração na Serra da Piedade também o ajudaram a ganhar pontos entre o bispado.

Bispos que atuaram como seus cabos eleitorais na eleição difundiram a imagem de que dom Walmor é também um bom comunicador, bastante alinhado ao papa e um realizador. Além de projetos e obras da igreja, ele está construindo uma catedral em Belo Horizonte. Dom Walmor acabou derrotando o cardeal e arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer - que já foi secretário-geral da entidade, mas que não se reelegeu -, e o arcebispo de Porto Alegre, dom Jaime Spengler. Este acabou eleito primeiro vice-presidente.

Dom Walmor recusa a sobremesa, mas não de comentar o decreto presidencial que facilitou o porte de armas de fogo no país: é contra. "A minha posição é pelo caminho do amor, do entendimento, do respeito. Armas são instrumentos usados dentro da legalidade e da racionalidade pela segurança pública."

Defensores de armas dizem que civis estarão sempre mais protegidos da criminalidade se andarem armados e treinados. Dom Walmor nunca esteve em uma situação séria de ameaça criminosa. Foi roubado uma vez. Estava entrando de carro no estacionamento da Universidade Católica de Salvador quando um rapaz se aproximou e gritou para que ele passasse o relógio.

Assim como ocorreu em muitas famílias, entre colegas de trabalho e clube, a eleição de Bolsonaro também alimentou tensões entre padres e bispos. "Eu não percebo que tenha havido divisão. Existem diferenças, tensões em razão de diferenças, mas que ao mesmo tempo é algo que nós podemos tratar com a força da comunhão que vem da fé."

Não há diferenças, entretanto, quando se discutem temas inegociáveis para Roma. Entre eles, o aborto. "Eu diria a todos os cristãos e me refiro também aos cristãos católicos que estiverem no Parlamento, e [se o Parlamento] trabalhar na direção de legalizar o aborto, eles devem se posicionar contra porque isso é inegociável."

Pedofilia na igreja também é outra questão espinhosa. A ordem é tolerância zero. Dom Walmor diz que uma comissão na CNBB trabalha em um guia sobre como punir casos de padres pedófilos - seguindo as normas do papa. "Esse guia terá um conteúdo jurídico-canônico, explicitando modos e passos sobre como cada bispo em cada diocese deve proceder quando se tratar de denúncia dos processos abertos em relação à acusação de caso de pedofilia", diz. Ele acha importante dizer que nas hostes da igreja a percentagem de casos de pedofilia é menor do que em outros círculos. "É um guia no horizonte de ser um guia para a tutela de menores."

Depois de eleito, dom Walmor passou a apresentar nos encontros com os bispos suas prioridades na CNBB. O primeiro ponto é concluir o "guia de proteção aos menores". Entre outras metas estão fortalecer o trabalho missionário em regiões distantes, promover mais a integração de arquidioceses e dioceses por meio de tecnologias digitais e ampliar a presença da CNBB nas redes sociais. Dom Walmor também quer estimular a participação de bispos, sacerdotes e diáconos em diferentes meios de comunicação, abrir a CNBB a discussões com representantes de diferentes pontos de vista sobre assuntos importantes e estimular a implementação de processos de controladoria em paróquias, dioceses e na CNBB.

O almoço está no fim. Mas, antes de nos levantarmos, o reitor do seminário reaparece, agora trazendo nos braços um filhote de cachorro marrom da raça lhasa apso. Foi um presente de dom Walmor, que também tem um da mesma raça em sua casa. O mascote do seminário já tem uma casinha azul de plástico e brinca com os sapatos lustrosos do arcebispo quando quando ele sai do refeitório.

Quando não está cumprindo suas funções na igreja, dom Walmor gosta de ouvir música clássica e jogar vôlei. Sessões de pilates também fazem parte de sua rotina. No pulso direito, ele usa uma pulseira preta ionizada. O acessório é descrito como um auxiliar na manutenção da saúde. O arcebispo é grande apreciador de poesia. Em seus discursos, costuma iO acessório é descrito como um auxiliar na manutenção da saúde.

O arcebispo é grande apreciador de poesia. Em seus discursos, costuma incluir versos de Fernando Pessoa (1888-1935) e Cecília Meireles (1901-1964). Ele abre a capinha de couro preta do celular e procura um poema. O refeitório já está quase vazio. Antes de se despedir com seu "saúde e paz", dom Walmor encontra o que buscava: "Olha que bonita esta". E declama "Cântico XIII", de Cecília Meireles: "Renova-te Renasce em ti mesmo. Multiplica os teus olhos para verem mais Multiplica-se os teus braços para semeares tudo Destrói os olhos que tiverem visto Cria outros para as visões novas Cria outros para as visões novas Destrói os braços que tiverem semeado, para se esquecerem de colher. Sê sempre o mesmo Sempre outro. Mas sempre alto. Sempre longe E dentro de tudo".

Fonte: Valor Econômico

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