Pingos e respingos da migração na Itália e Europa

Os migrantes são os novos escravos, menores explorados por 12 euros ao dia (fala do presidente da Itália, Sergio Mattarella).

Por Alfredo J. Gonçalves*

Na sexta-feira, dia 27 de julho de 2018, na região de Ceuta, Marrocos, 600 migrantes rompem a cerca e entram num “enclave” espanhol, no continente africano. A travessia vem se deslocando da Itália para a Espanha.

crianca-refugiadaNo domingo, 29 de julho de 2018, Viktor Orbán conquista seu terceiro mandato consecutivo como Primeiro Ministro da Hungria, com discurso anti-migração. Nacionalista de extrema direita, Orbán se apresentou como o salvador da cultura cristã húngara contra a imigração muçulmana na Europa.

Na segunda-feira, 30 de julho de 2018, Dia Mundial contra a trata e o tráfico de seres humanos, o presidente italiano Sergio Mattarella afirma em seu discurso que “os migrantes são os novos escravos, menores explorados por 12 euros ao dia”, nos serviços mais variados.

Entre os dias 30 e 31 de julho de 2018, o Primeiro Ministro da Itália, Giuseppe Conte, visitou os Estados Unidos e esteve na Casa Branca, onde se encontrou com o presidente Donald Trump. Este aproveitou para elogiar a política anti-migratória do atual governo italiano: expatrição dos indocumentados, portos fechados e redução do orçamento para acolhida.

Na primeira semana de agosto de 2018, em dois acidentes rodoviários na região de Foggia, sul da Itália, morreram 16 trabalhadores que retornavam da colheita manual de tomate. Eram todos imigrantes, alguns indocumentados, outros com permissão de permanência. Os furgões em que viajavam em condições precárias chocaram-se de frente com outros veículos.

Com os investimentos recebidos da União Europeia, nas últimas semanas a Guarda Costeira da Líbia, vem controlando a saída daqueles que tentam a travessia do Mediterrâneo, além de tentar combater os traficantes. Em caso de socorro e resgate de naufrágio, os imigrantes são reconduzidos à própria Líbia. Ali as condições dos campos de refugiados, migrantes e prófugos são de extrema precariedade. “Uma verdadeira prisão”, afirmam os migrantes.

Também nas últimas semanas, em distintos pontos da Península italiana, vários estrangeiros, especialmente africanos, foram alvo de um tipo de violência de natureza marcadamente racista.

*Alfredo J. Gonçalves, cs, é superior-geral dos carlistas, Roma, Itália.

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