Um segredo guardado no coração

Luiz Antonio de Brito é ordenado sacerdote missionário da Consolata em Monte Santo, Bahia, no dia 3 de setembro.

Por Mário de Carli

Na tarde de sábado, 3 de setembro, enquanto nuvens densas cresciam a olhos vistos no céu, Dom Giovanni Crippa, bispo de Estância, Sergipe, e seis missionários da Consolata impunham suas mãos sobre o neo-sacerdote, Luiz Antonio de Brito. A chuva, sempre bem-vinda, desceu sobre todos, trazendo suas bênçãos. Os ritos da sagração sacerdotal que começaram em frente à igreja, acabaram diante do altar, sob os olhares de parentes e amigos que vieram prestigiar este evento tão belo e significativo para o Povo de Deus em Monte Santo, Bahia.

ordenacaobrito1Luiz Antonio de Brito é padre missionário da Consolata e filho de Gabriel de Brito e de Rosália Maria de Brito. Tem dois irmãos que se chamam Rosevânia e Gauvam. Luiz, sendo o primeiro filho, nasceu dia 18 de maio de 1988 e cresceu sob o olhar de seus pais. Seu ensino básico começou na Escola Santa Rita, no Povoado de Engorda, onde nasceu. Frequentou seus estudos secundários no Colégio Estadual Deputado Luís Eduardo Magalhães (CEDLEM) na cidade de Monte Santo, entre os anos 1999 e 2005. Enquanto estudava, mantinha os pés firmes no chão de sua família e de sua comunidade. Frequentou a catequese e pouco tempo mais tarde, no florir de sua juventude já atuava como membro e coordenador de vários grupos de jovens, onde o reino de Deus era anunciado pelas encenações bíblicas. Aprendeu que um valor importante é a Palavra de Deus. Nela fundamentou seu seguimento a Jesus Cristo como catequista e animador de sua comunidade por dois anos. Tornou-se coordenador da Pastoral do Dízimo. No tempo em que poucas pessoas sabiam ler e escrever, soube colocar seus dons como professor, alfabetizando pessoas adultas.

Em contato com a Consolata
Pouco a pouco, Luiz pelas suas funções exercidas, começou a ser conhecido de muitas pessoas. Como era animador da comunidade foi fácil entrar em contato com as missionárias da Consolata. Depois é que veio o encontro com os missionários. Interessou-se pelo modo como viviam e o que mais o atraia era a alegria estampada em seus corações e o estilo de viver e trabalhar pastoralmente. Isso o ajudava a ver mais distante. Um dia foi desafiado a tomar a vida mais a sério. Ouviu um convite de um missionário da Consolata que lhe fez a proposta clara, do tipo: “você quer ser um padre missionário?” Mas com a timidez refinada que lhe era própria segundo os bons modos da época, engoliu a saliva e ao olhar para o missionário que o interrogou, manteve seu silêncio. Assim fez seu acompanhamento vocacional e sua vocação amadurecia no segredo de seu coração.

Um dia percebeu que a hora tinha chegado de dizer à sua família o que queria fazer da vida. Faltando um mês antes de ingressar no Seminário, enquanto comiam resolveu falar aquilo que o coração sentia, pois tinha “decidido que tinha que partir” – afirma Luiz. Palavras proferidas, olhos abertos e rostos logo revelaram o que sentiam. As reações foram evidentes: seu pai, Gabriel, esboçou um longo sorriso e acatou as palavras de seu filho sem pestanejar. Mas sua mãe rápida e veloz, logo foi lhe dizendo “que não valia a pena, que isso era passageiro”. Assim “pensava minha mãe por medo que eu desistisse ou outras coisas. Isso durou até eu ir para Nairóbi estudar Teologia” concluiu Luiz. Mas para quem sua vocação vinha sendo gerada no segredo de seu coração e na busca da vontade de Deus, não o abalou. Permaneceu com sua serenidade inquebrantável.

Assim, no dia 6 de março de 2006 deixou seus pais e irmãos e entrou no Seminário Propedêutico dos Missionários da Consolata em Feira de Santana, onde foi recebido por quem o ordenou, Dom Giovanni Crippa. No ano seguinte foi a Curitiba cursar Filosofia. Em 2010 foi em Buenos Aires, Argentina, onde fez o Noviciado e emitiu sua Profissão Religiosa como missionário da Consolata. E para terras africanas se foi Luiz, de 2011 a 2015 onde cursou Teologia no Seminário Teológico em Nairóbi, capital do Quênia. Fez sua Profissão Perpétua no dia 19 de fevereiro deste ano e sua Ordenação Diaconal no dia seguinte, em Nairóbi. Exerceu diaconato fazendo o Ano de Serviço Pastoral em Uganda. Depois regressou a Monte Santo para receber o ministério sacerdotal no dia 3 de setembro passado.

Ser sacerdote e missionário
O padre Luiz Antonio de Brito escolheu como lema para sua Ordenação Sacerdotal as palavras de Paulo: “Ele nos escolheu em Cristo […] para que sejamos santos e sem defeito diante dele, no amor”, tirado da Carta de São Paulo aos Efésios 1:4; este lema é também inspirado nas palavras do Fundador dos Missionários e Missionárias da Consolata (Bem-Aventurado José Allamano), que convida seus missionários a serem “primeiros santos, depois missionários”.

Dom Giovanni Crippa na sua homilia, convidou o neo-sacerdote para “não descuidar do dom da graça que há em você” (1 Tim 4,12-16), dizendo que “Toda a Igreja hoje louva e agradece a Deus e reza por ti. Coloca em ti tantas esperanças e espera confiante frutos de santidade e de bem do teu ministério sacerdotal. Sim, a Igreja missionária conta contigo!” A o olhar seu Lema sacerdotal, disse: “A Igreja precisa de ti, porque ela tem consciência dos dons que Deus te concedeu e, ao mesmo tempo, da absoluta necessidade que cada coração humano tem de se encontrar com Cristo, único e universal Salvador do mundo, e receber dele vida nova e eterna, liberdade verdadeira e alegria plena”.

Mensagem desafiante
Por fim, Padre Luiz Antonio deseja deixa duas mensagens como desafio às nossas juventudes:

Por que as nossas comunidades devem sempre esperar por missionários vindos de longe para partilhar e dedicar suas vidas a nós? Por que entre nós não surgiu ninguém com o desejo de ir e partilhar suas vidas como eles fazem? Que poderemos fazer algo a mais para que nossas comunidades sejam sinais de uma ‘Igreja em saída’, como nos pede o Papa Francisco?

Se tomarmos a sério o nosso batismo para seguir a Jesus Cristo como “profissão e vocação”, por que as pessoas buscam fazer as coisas ‘convencionais’ e por que não fazer algo ‘fora da casinha’, buscar fazer a diferença e que deixem marcas na vida das outras pessoas por “amor a Deus” e pela causa do reino de Deus?

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