José Allamano um apaixonado pela Missão!

No dia 16 de fevereiro celebramos a memória do Bem-aventurado José Allamano, fundador de dois Institutos missionários.

Por Ramón Cazallas Serrano

Desde jovem Allamano queria ser missionário, pelo contato que teve com o capuchinho cardeal Massaia,  grande missionário da Etiópia. Desde então, o nosso Bem-aventurado levava a África em seu coração. A saúde frágil e os trabalhos confiados pela sua diocese impossibilitaram o sonho geográfico da Missão.

Allamano nasceu dia 21 de janeiro de 1851 e cresceu em terra de santos: São João Bosco, seu mestre, São José Cafasso, tio materno e modelo de vida sacerdotal, que o conduzia pela estrada da santidade. Passou a maior parte da sua vida em Turim, na Itália, como Reitor do Santuário de Nossa Senhora Consolata e da Casa de Formação para os padres novos, que em dois anos completariam a formação em Teologia Moral. Com estas duas atividades, mais a admiração pelo seu santo tio, o padre Allamano vai impregnar todo o seu trabalho.

Nossa Senhora Consolata não vai ser para ele uma devoção a mais, mas a sua própria mãe, e ele a terá presente em todo instante da sua vida. Vai passar diversas horas rezando diante do ícone de Nossa Senhora e com Ela repassará os atos de cada dia, os rostos das pessoas encontradas, especialmente dos aflitos, dos pobres e dos seus missionários e missionárias. Quando fundou o Instituto repetiu muitas vezes que a fundadora era Ela, a Consolata, porque lhe dera a inspiração “para levar a Consolação até os últimos extremos da terra”.

O modelo de vida sacerdotal que vê no seu santo tio, José Cafasso, vai fazer dele um padre todo dedicado ao serviço sacerdotal, não só na formação dos seminaristas e padres novos da sua diocese, mas, em boa parte do clero local que virá a Ele para pedir conselho, direção espiritual e até ajuda material. Foi padre para todos. Sofria quando via como os jovens padres eram destinados às paróquias pequenas, onde a pouca atividade e o numeroso clero os impediam de desenvolver todas as suas capacidades.

Essência do sacerdócio

A essência do sacerdócio está na Eucaristia. Os princípios mariano e eucarístico foram os inspiradores para a fundação dos dois Institutos missionários, em 1901 e 1910. Ele não se encontrava mais no entusiasmo da juventude, mas, em plena maturidade física e psicológica. E foi quando se lançou a enviar homens e mulheres para aquela África que levava no coração. Os pioneiros foram dois padres e dois irmãos leigos. Anos depois chegaram as irmãs. Desde a saída da primeira expedição, padre Allamano não era mais o mesmo. A Missão transformou o discípulo. Dizia: “por vocês, missionários e missionárias, dei tudo. Não me poupei em nada”. Continuando com as atividades diocesanas, a Missão ocupou o centro da sua vida. As notícias da Missão, como chegavam da África, transformavam a sua espiritualidade. A formação que dava aos jovens missionários não era aquela ministrada nas instituições eclesiásticas, mas, uma apropriada para as Missões: línguas, etnologia, agricultura carpintaria e outros ofícios que a Missão exige entraram nos programas acadêmicos como a Teologia Dogmática, Bíblia etc. “Aqui se estuda para a Missão, se pensa na Missão e se vive para a Missão”, dizia. Quando alguns colegas e bispos o convidavam a ter paróquias em Turim para sustentar economicamente as Missões ele era categórico: “Nós somos para a África”.

Para nós, na América Latina, o Bem-aventurado José Allamano pode ser um modelo de discípulo missionário: homem profundamente arraigado em Deus em quem se descobre a urgência da Missão.

* Ramón Cazallas Serrano é missionário, mestre em Teologia Dogmática.
(CC BY 3.0 BR)

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