O ciclo da vida

Maria Regina Canhos Vicentin *

A gente nasce e todo mundo faz apostas quanto ao nosso futuro. Vai ser pessoa de sucesso, fama e prestígio. Vai ter saúde e ganhar muito dinheiro. Vai ser feliz. Os votos são sinceros e espelham o querer da maioria. Afinal, quem não deseja ser feliz, famoso e rico? Os pais, satisfeitos, aninham nos braços seu pequeno bebê torcendo para que tenha tudo o que lhe foi desejado pelos amigos e parentes.

O tempo passa e, ainda crianças, começamos a conhecer o mundo e seus desafios. Tudo é festa. O que a gente não alcança, o pai ou a mãe entregam em nossas mãos. Choramos e logo somos atendidos. A infância parece ser um pedaço do céu para muitos de nós. Somos felizes e inocentes.

A adolescência nos surpreende com um montão de espinhas e problemas insolúveis. O conteúdo escolar é difícil e os pais são chatos. Mas, em compensação os amigos são ótimos; e o melhor, também têm espinhas. O maior desafio é conseguir burlar a vigilância parental e voltar para casa na madrugada. Somos insatisfeitos e ingênuos.

Nossa juventude é maravilhosa. Enfim livres! Vamos morar em outras cidades para cursar a faculdade e aproveitamos para sair com os amigos, voltar tarde, e fazer algumas bobagens que não vale a pena mencionar. Imaginamos ser indestrutíveis. Achamos que somos os donos do mundo ou, pelo menos, os filhos do dono. Somos inconsequentes e arrogantes.

A maturidade nos surpreende com excessivas responsabilidades. Não imaginávamos que fosse tão complicado trabalhar, pagar contas, casar e ter filhos. Tudo parecia mais simples na casa de nossos pais. Sentimos saudades da infância e da adolescência, quando não havia ainda compromissos sérios e tudo parecia ser optativo. Sentimo-nos produtivos e operantes, chegando a realizar alguns projetos e sonhos da juventude. Nossa família ocupa lugar de destaque em nossa vida. Somos trabalhadores e amorosos.

Algumas décadas passam e a velhice chega. Vem coroando uma vida de luta e sacrifícios. Dói aqui dói ali. Adeus mocidade. Gostaríamos de retornar ao passado, mas um breve olhar no espelho nos remete à realidade: o tempo passou e não volta mais. Os cabelos brancos mostram que vieram para ficar, e já são maioria em nossa não tão vasta cabeleira. Olhar cansado, movimentos mais lentos, audição deficitária. O entardecer da vida parece não ser tão romântico quanto gostaríamos que fosse. Mas, estamos aqui. Somos experientes e saudosistas.

O ciclo da vida é mais ou menos assim, no entanto, podemos e devemos enriquecê-lo com as nossas digitais. Quanto mais amarmos mais chance de sermos amados. Quanto mais semearmos, certamente maior a colheita. A vida é aprendizado e como tal devemos aproveitá-la ao máximo. Aceitar cada fase é apreciar o ciclo vital que o Criador propôs para nós. "Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus..." (Ecl 3, 1).

* Maria Regina Canhos Vicentin (e.mail: contato@mariaregina.com.br) é escritora. Acesse e divulgue o site da autora: www.mariaregina.com.br.

Fonte: www.mariaregina.com.br

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