Construir um futuro sustentável

É o destino comum do ser humano-planeta que está em jogo.

Por Marcus Eduardo de Oliveira *

Ainda que não seja consensual, resta dizer que parece haver pouca dúvida que a emergência climática, capaz de desconfigurar o espaço habitado pela humanidade, tem gerado mais insustentabilidade do mundo atual, invisibilizando/inviabilizando o alcance de bem-estar da vida humana, o que compromete - e muito - a orientação das sociedades no rumo do progresso social (macroevolução). Ocorre que ao enfraquecer biologicamente o mundo vivo, vamos criando cada vez mais uma relação de dissociação em relação ao nosso próprio Lar Planetário (Casa Comum de todos os viventes). De tal maneira que, no fundo, é ignorado o fato de que “desarranjos” (na ausência de outro termo mais apropriado) sobre o mundo natural deixa a pessoa humana - que a rigor deveria ser o fundamento e o fim tanto da política quanto da economia modernas, em situação de perigo, ameaçando, pois, o futuro de toda a humanidade (um conceito coletivo) e, claro, o que tanto importa ao processo civilizatório, a conquista suprema da paz social (um desejo imanente de todos).

E pior ainda: essa confluência de situações, a rigor, obscurece o crucial fato de que o futuro dos seres humanos da atualidade e a paz da humanidade - dois baluartes da condição humana - dependem irrefreavelmente da existência de uma boa e saudável relação entre o ser humano e a natureza, uma vez que toda a história humana, falando o óbvio, acontece através do mundo biofísico. É o destino comum Terra-ser humano que está em jogo.

Longe demais

Há de se ter o claro entendimento de que não dá mais para negligenciar que a nossa espécie, já foi longe demais com certas loucuras, especialmente as de cunho consumista. Fora isso, desde há muito abusamos das condições dos ecossistemas planetários, e seguimos comprometendo os sistemas geradores de vida da Terra. E não é de hoje que se afetam os fatores e se inviabilizam as condições que tornam possível a vida no planeta. É hora de mudar isso. E temos todas as condições de virar o jogo a nosso favor.

Precisamos pensar além do imediato, afirmando e reafirmando nossas potencialidades, mesmo diante da evidência de nossas mais gritantes fragilidades e da constante incidência de nossos mais brutais e denunciáveis erros. Que não se deixe escapar a compreensão do seguinte: há plenas condições de mobilizar as sociedades para a ação definitiva e definidora de um novo tempo, no qual se consolide, por exemplo, o Bem Viver (sumak kawsay) e Viver Bem (suma qamaña). Ou seja, algo que esteja em linha com a defesa de ações voltadas à reciprocidade, à cooperação e à complementariedade. Não há dúvida que o gênero humano possui condições de auxiliar a realização de um codesenvolvimento com o planeta, mudando radicalmente a realidade adversa e realizando o bem comum.

* Marcus Eduardo de Oliveira é economista e ativista ambiental. Autor de “Economia Destrutiva” (ed. CRV) e “Civilização em desajuste com os limites planetários” (ed. CRV), entre outros. prof.marcuseduardo@bol.com.br

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