Força e Coragem

Entrevista exclusiva com padre Michelangelo Piovano, missionário da Consolata que veio ao Brasil para participar da Comissão que recolherá material para dar início ao processo de canonização do Bem-aventurado José Allamano, fundador do Instituto Missões Consolata (IMC).

Por Redação

Padre Michelangelo Piovano (66) é missionário da Consolata e está na Itália há 15 anos. Veio ao Brasil para participar de uma Comissão criada pelo bispo de Roraima para iniciar o processo de canonização do Bem-aventurado José Allamano, fundador do Instituto Missões Consolata (1901) e do Instituto das Missionárias da Consolata (1910). Antes de trabalhar na Itália, padre Michelangelo viveu no Brasil por muitos anos, onde foi Superior Regional e formador.

Na Casa Regional em São Paulo, de onde partirá para Boa Vista no início de fevereiro, padre Michelangelo falou com exclusividade para Missões.

É uma grande alegria ter o senhor de volta ao Brasil. Depois de 15 anos fora, o que pode contar para os leitores sobre sua missão na Itália?

É uma grande alegria estar aqui no Brasil nesse momento. Quando voltei na Itália minha missão foi a de servir ao Instituto, nossa família missionária. Trabalhei por seis anos na Casa Geral, em Roma, foi uma bonita experiência de família, de comunhão, atendendo padres, bispos e missionários que passam pela Casa, com a direção geral. Era o Pontificado de Bento XVI e ouvia suas catequeses na Praça São Pedro. Trabalhei ajudando os missionários naquilo que precisavam, preparando suas documentações e vistos para viajar.

Depois fui para Turim, na Casa Mãe, responsável pela comunidade, uma grande comunidade com 50 missionários, padres e irmãos. Partilhei a vida com eles, de maneira especial com os mais idosos e doentes. Trabalhei em comunhão com a Igreja, eu sou de Turim então foi muito bom trabalhar onde nasci e cresci, e tive oportunidade de visitar mais meus familiares. Fui Superior Provincial na Itália por cinco anos.  Também viajei com os professos em teologia. Fiz com eles a cada ano um curso sobre o Carisma e uma visita aos lugares da nossa história, do nosso fundador. Nos dias que passamos juntos, vivemos diversas experiências de comunhão.

Terminei esse serviço como Superior e fui para a sede da nova Região Europa em Milão, onde atuei como secretário do grupo que foi formado pelos missionários da Itália, Portugal, Espanha e Polônia. Acompanhei os primeiros passos  da nova Região.

Quando o missionário sai, recebe o envio missionário, com possibilidade de voltar. O que o trouxe ao Brasil, especificamente?

Vim ao Brasil por dois motivos. Primeiro, porque me aposentei e tenho que fazer o processo da aposentadoria aqui no Brasil, pois tenho tempo suficiente para tal. Sobretudo, vim porque faz quase um ano que a Direção Geral dos Missionários e das Missionárias formaram uma Comissão que vai ajudar nosso postulador e também a postuladora das irmãs para ver se o processo da canonização do nosso fundador, o Bem-aventurado José Allamano, consiga ser instalado.

Allamano foi beatificado em 1990 em função de um milagre que ocorreu no Quênia. Agora falta um outro milagre para que seja canonizado. E esse milagre parece que existe. Trata-se da cura do índio yanomami Sorino, em Roraima. O bispo da diocese convocou uma Comissão, trata-se de um inquérito diocesano. Vamos ouvir as testemunhas, enfermeiras, enfermeiros, médicos, missionários e missionárias sobre essa cura milagrosa atribuída ao nosso fundador. Se tudo der certo, na primeira semana de março, vamos ouvir todas as testemunhas, e juntar esse material que será lacrado e levado para Roma, para a Congregação dos Santos. Lá, uma Comissão formada por teólogos e por sete médicos, analisará os documentos. Se forem aprovados, o papa emite um Decreto para a canonização.

Qual a sua impressão sobre o Brasil atual, depois de viver 15 anos fora do país? O que acha que mudou?

Primeira impressão é que a Igreja no Brasil caminhou. Tem procurado evangelizar, tornando as pessoas discípulas evangelizadoras. Vejo que isso está acontecendo nas comunidades e vejo que está dando seus frutos. Outro ponto é a caminhada da Igreja, dando prioridade à Amazônia. Isso se vê, se sente naquilo que é escrito e falado. A Igreja não parou, foi para frente, procurando responder sempre aos novos desafios.

Depois, fui dar uma volta no centro de São Paulo. E fiquei um pouco triste. Parece que há 15 anos a cidade era mais bonita. Vi muitos moradores de rua, o centro da cidade um pouco abandonado. Isso não é bom, tomara que esse processo possa ser revertido, mudado.

O senhor foi Superior quando trabalhou no Brasil, ajudou a preparar o Capítulo Geral da Consolata em 2005. Trabalhou em muitos lugares, Curitiba, São Paulo, mas agora não vai poder visitar essas comunidades, porque a pandemia não permite. Que mensagem gostaria de deixar para as pessoas dos lugares em que trabalhou no Brasil e de maneira geral, para todos?

Devido à pandemia, não podemos sair e visitar as comunidade, então saúdo a todos com as palavras do nosso fundador, o Bem-aventurado José Allamano. Ele terminava suas cartas com as palavras: força e coragem! Coragem de ir em frente, para animar o povo, está chegando a vacina, que vai nos ajudar a retomar nossa vida. Minha saudação e oração a todos, para que possamos viver sempre mais a Missão que Deus nos confiou.

Fonte: Missões a Missão no Plural

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