Nota de apoio à luta Xavante pela Terra Indígena Marãiwatsédé

Laboratório de Estudos e Pesquisas em Movimentos Indígenas, Políticas Indigenistas e Indigenismo (LAEPI) divulga nota de apoio aos indígenas de Mato Grosso.

Por CIMI

O Laboratório de Estudos e Pesquisas em Movimentos Indígenas, Políticas Indigenistas e Indigenismo (LAEPI) divulgou uma nota pública de apoio ao povo Xavante da Terra Indígena Marãiwatsédé, no Mato Grosso, por novos ataques à ocupação tradicional do território.

Desta vez, o ataque partiu do ex-secretário Especial de Saúde Indígena (Sesai), Rodrigo Rodrigues, que afirmou em encontro com empresários do setor do agronegócio que Maraiwãtsédé “nunca foi terra indígena”.

Leia a nota na íntegra:

Nota de apoio à luta Xavante pela Terra Indígena Marãiwatsédé

indioconstituicaoConsiderando as recentes declarações do ex-Secretário Especial de Saúde Indígena, Rodrigo Rodrigues, que afirmou em encontro com empresários do setor do agronegócio do Estado de Mato Grosso que Maraiwãtsédé “nunca foi terra indígena”, conforme reportagem (leia aqui), o LAEPI vem prestar o seu apoio aos Xavante de Marãiwatsédé na luta pela plena reocupação de seu território recentemente reconquistado e esclarecer à sociedade fatos relativos à história de violência contra essa comunidade.

As violências sofridas pela comunidade Xavante de Marãiwatsédé datam da década de 1950, quando este povo teve o seu território invadido pelo grupo que instalou na região a Fazenda Suiá-Missu, culminando com a remoção forçada do grupo em avião da Força Aérea Brasileira (FAB), em 1966, e com a sua quase total aniquilação.

A Terra Marãiwatsédé já foi declarada de ocupação tradicional do Povo Xavante, por meio da Portaria nº 363, de 30/09/1993, do Ministério da Justiça.

Em setembro de 2012, após longa disputa judicial, teve início a desintrusão do território indígena, em um percurso permeado por constantes re-invasões, razão pela qual só foi efetivamente concluída a total retirada dos invasores em meados de 2014.

A demarcação oficial, no entanto, não reparou e não repara quase meio século de contínua desumanização, desenraizamento e humilhação social que levaram a um quadro de traumas psicossociais coletivos.

A situação do Povo Xavante de Marãiwatsédé permanece incipiente e sob vigilância, dado que o território entregue à comunidade indígena encontra-se ambientalmente devastado e possui um entorno social no qual imperam a violência, a discriminação e o desrespeito às conquistas já consagradas por esse povo.

A declaração do ex-secretário Rodrigo Rodrigues, que não é uma voz isolada, expõe os preconceitos e a intencional ignorância de indivíduos e grupos não indígenas sobre a identidade étnica e cultural dos povos indígenas, seus direitos e suas lutas pelo retorno às suas terras e reparação pelas violências protagonizadas pelo Estado Brasileiro ou com a sua conivência e omissão.

O LAEPI coloca-se como frente de apoio para gerar conhecimento sobre a história, a vida e a luta do povo Xavante de Marãiwatsédé, que por meio de seu porta-voz, Rafael Weree e Ana Paula trouxeram as preocupações, receios e desafios do seu povo na busca de reparação pelas violências sofridas.

O LAEPI reafirma seu compromisso com a luta dos povos indígenas no Brasil e manifesta profunda preocupação com o atual cenário político de retrocessos em particular na política governamental, atualmente sendo executada por pessoas que como o Senhor Rodrigo Rodrigues demonstra o descaso e o desrespeito pelos povos indígenas e seus direitos constitucionais.

Brasília, 03 de abril de 2017 - Abril Indígena

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