Amar a Pátria participando dela

Somos todos livres, autônomos e responsáveis pelas lutas e pelas conquistas de uma vida na dignidade e pela melhoria das condições de vida e de trabalho.

Por Nei Alberto Pies*

Uma das maiores atitudes cívicas e cidadãs é demonstrar amor à Pátria interessando-se por ela, participando ativamente dos acontecimentos que a envolvem no atual momento histórico. Afirmar a democracia é atitude relevante e decisiva para vislumbrar o futuro desta nação. É necessário afirmar e debater, de forma ampla, aberta e plural a "participação como um direito humano”, a fim de sensibilizar e comprometer a todos com a luta por sua efetivação no cotidiano de todos e de cada pessoa.

geritomanifestacaoDe qual participação estamos falando? Quais estratégias, fundamentos e dinâmicas serão capazes de permitir o verdadeiro protagonismo cidadão?

A participação nasce das diferentes práticas sociais, políticas e educativas que permitem a construção de "sujeitos de direitos”. Somos todos livres, autônomos e responsáveis pelas lutas e pelas conquistas
de uma vida na dignidade, pela melhoria das condições de vida e de trabalho, pela ampliação dos nossos direitos, pela materialização dos direitos já conquistados. Estamos falando da participação ativa e
cidadã, oposta à participação passiva a que se acostumou parcela significativa da população brasileira.

A participação é um processo ativo, de protagonismo pessoal e coletivo, crítico, plural e que contempla os diferentes pontos de vista e interesses. Esta compreensão de participação supõe que todos,
e cada um e cada uma de nós, torne-se sujeito de sua vida e de sua história, sem esperar que outros nos concedam benefícios ou privilégios, em troca de nosso silêncio, omissão ou apatia.

A participação, junto com a liberdade de expressão e a organização são condições fundamentais para que uma sociedade crie as condições para a afirmação e vivência dos direitos humanos. Em contextos dominados pela lógica individualista do consumo e da competição, dos atropelos políticos e jurídicos, garantir condições para a participação se constitui em desafio, visto que hoje nossa jovem democracia está correndo riscos.

Importante lembrar que "direitos humanos são conquistas”. E conquistas não surgem da apatia, mas da disposição de cada brasileiro e cada brasileira viver plenamente o seu direito de decidir, de falar, de
viver e de conviver, em todos os lugares que a cidadania nos invoque.

Os amantes da liberdade e da democracia não marcham nas ruas, mas ocupam as mesmas para manifestar sua indignação e reclamar seus direitos, para que sejam asseguradas a dignidade e liberdade humanas. Não é crime lutar!

*Nei Alberto Pies, professor, escritor e ativista de direitos humanos.

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