Testemunhos sobre a missão em um mundo plural enriquece diálogo ecumênico

Jaime C. Patias

Além das conferências e debates, a programação do Simpósio Ecumenismo e Missão - Testemunho Cristão em um Mundo Plural inclui partilha de vivências em contextos de missão. A prática enriquece as reflexões acadêmicas e propõe caminhos para lidar com os desafios. Na tarde desta sexta, 22, Irmã Agnese Costalunga, religiosa católica das Missionárias da Imaculada, professora de missiologia no Instituto de Teologia São Paulo (ITESP) e o pastor luterano Roberto Zwetsch, professor de Teologia Prática e Missiologia nas Faculdades Escola Superior de Teologia (EST) em São Leopoldo, (RS), contribuíram com seus testemunhos e apontaram alguns desafios para a missão.

Ao analisar contextos de missão, Irmã Costalunga observou que o Concílio Ecumênico Vaticano II foi o grande evento eclesial que continua a incentivar importantes mudanças, também missionárias e ecumênicas em nossa época. "Não faltam elogios a respeito dos seus avanços introduzidos na humanidade", disse a religiosa para em seguida externar preocupações com relação à participação das mulheres. "Nós mulheres percebemos que a ausência da presença feminina continua sendo uma realidade de ontem e de hoje. Colaboramos na pastoral, quase sempre gratuitamente e muitas vezes aceitando a dupla ou tripla jornada de trabalho". A missióloga lamenta que a questão de gênero ainda não faz parte do currículo do curso de teologia. "Apesar de não termos uma pesquisa, percebemos uma grande diminuição da presença feminina nos estudos teológicos. É evidente a saída silenciosa das mulheres com seus filhos das igrejas", ponderou.

Além disso, Irmã Costalunga vê "pouco progresso no diálogo inter-religioso entre as Igrejas num cenário onde aumentam as práticas neoliberais". Vivemos em "uma sociedade plural, secularizada e em constantes, rápidas e sucessivas transformações e na complexidade da globalização neoliberal excludente". Diante disso a missióloga lançou uma questão: "como podemos nos ajudar entre as Igrejas para que a missionariedade eclesial se torne o espaço privilegiado de nossa ação transformadora e realizadora dos sinais dos tempos?"

Pensar missão num mundo plural

Professor Roberto Zwetsch por sua vez, destacou a dimensão do diálogo e da convivência. "Eu entendo que missão não é divulgar as igrejas, mas participar da ação e da presença de Deus no mundo. Como Deus atua no mundo de hoje. E nós enquanto instrumento da missão de Deus temos que responder a esse clamor que surge da vida e do contexto vivencial das pessoas", afirmou.

Diante de um mundo multiétnico e pluricultural, Roberto Zwetsch sublinha a necessidade de "aprender o que significa diálogo com os diferentes, não só com aqueles que são do nosso lugar, da nossa instituição, mas aqueles que estão além da instituição e que estão lutando para sobreviver dignamente neste mundo". Segundo ele, dialogar com o outro é muito mais do que conversar, "é caminhar junto". Para isso, se supõe o desafio do compromisso, "de chegar a ter certo tipo de cumplicidade com a luta das pessoas pela dignidade da vida. Isso justamente num mundo que está passando por uma crise profunda de economia, de meio ambiente, de justiça e de ética", complementou.

Promovido pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs no Brasil (CONIC), em parceria com a PUC-PR e as comissões de Ecumenismo, Laicato e Missão da CNBB, o Simpósio reúne cerca de 100 pessoas entre leigos(as), consagradas e ordenadas nas diversas Igrejas cristãs, estudantes de teologia e convidados.

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Fonte: www.pom.org.br

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