Espiritualidade e cultura do bem viver

Nei Alberto Pies *

Seminário Educação, espiritualidade e cultura do bem viver, entre os dias 24 a 26 de setembro, em Passo Fundo, Rio Grande do Sul, discutirá temática do cuidado.

"Nas tradições indígenas de Abya Yala, nome para o nosso Continente indioamericano ao invés de «viver

melhor» se fala em «bem viver». Esta categoria entrounas constituições da Bolívia e do Equador como

o objetivo social a ser perseguido pelo Estado e por toda a sociedade.

O «viver melhor» supõe uma ética do progresso ilimitado e nos incita a uma competição com os outros

para criar mais e mais condições para «viver melhor».

Entretanto para que alguns pudessem «viver melhor» milhões e milhões têm e tiveram que «viver mal». É a

contradição capitalista.

Contrariamente, o «bem viver» visa a uma ética da suficiência para toda a comunidade e não apenas para

o indivíduo. O «bem viver» supõe uma visão holística e integradora do ser humano inserido na grande

comunidade terrenal que inclui além do ser humano, o ar, a água, os solos, as montanhas, as árvores e os

animais; é estar em profunda comunhão com a Pacha Mama (Terra), com as energias do universo e com Deus.

A preocupação central não é acumular. De mais a mais, a Mãe Terra nos fornece tudo que precisamos.

Nosso trabalho supre o que ele não nos pode dar ou a ajudamos a produzir o suficiente e decente para todos,

também para os animais e as plantas. «Bem viver» é estar em permanente harmonia com o todo, celebrando

os ritos sagrados que continuamente renovam a conexão cósmica e com Deus.

O «bem viver» nos convida a não consumir mais do que o ecossistema pode suportar, a evitar a produção

de resíduos que não podemos absorver com segurança e nos incita a reutilizar e reciclar tudo o que

tivermos usado. Será um consumo reciclável e frugal.

Então não haverá escassez.

Nesta época de busca de novos caminhos para a humanidade a ideia do «bem viver» tem muito a nos

ensinar". (Leonardo Boff)

* Nei Alberto Pies é professor e ativista de direitos humanos.

Fonte: Nei Alberto Pies / Revista Missões

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