A liberdade profética

Joaquim Gonçalves

A liberdade profética é o assunto da tese do padre Mário de Carli, missionário da Consolata, apresentada no Instituto ITESP, em São Paulo, nesta manhã, dia 28 de novembro.

Liberdade e profecia, segundo a tese do padre Mario, é parte muito importante da visão teológica e missiológica do teólogo José Comblin. A Igreja no Brasil deu passos importantes na sua identificação com os pobres, mas não perseverou como se esperava nesse caminho por timidez. Comblin se identificou, sobretudo, com os pobres do semiárido do Norte e Nordeste. Foi nesse âmbito que idealizou um novo modelo de pastoral, um novo modelo de formação e construiu o "seminário da enxada", onde os estudantes se preparavam para a pastoral, se mantendo com o trabalho agrícola. Sua visão de Igreja combinava bem com a visão de dom Hélder Câmera.

Para que a Igreja mostre que é livre e possa ter coragem de ser profeta, necessita colocar-se a serviço do Espírito. O espírito incomoda, move e impulsiona.

No diálogo entre professores e o defensor da tese, foram sublinhados alguns aspetos importantes da vida de Comblin. "Comblin foi amado por uns e rejeitado por outros, mas nunca conseguiram pegá-lo em contradição. Era discreto, tímido, profundo e simples com o povo". Padre Mário foi elogiado pela coragem de "arriscar e entrar num âmbito de estudo difícil e ser capaz de se apropriar do pensamento teológico do Comblin".

A dimensão profética foi muito bem salientada tanto pelo defensor da tese como pelos professores. De fato uma igreja para ser profética tem que ser livre dentro de si mesma, mas para isso, todos os seus membros têm que ter consciência dessa liberdade que não se submete aos desejos da carne. Enfim, todos concluíram que o padre José Comblin nos deixou uma herança teológica importante que ainda não foi valorizada como merece ser.

Fonte: Joaquim Gonçalves / Revista Missões

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