Sessão solene na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF), homenageia Campanha da Fraternidade 2023

Por CNBB

Nesta segunda-feira, 13 de março, foi realizada na plenária da Câmara dos Deputados uma sessão solene em homenagem à Campanha da Fraternidade 2023 cuja temática é “Fraternidade e fome” e o lema “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Mt 14,16).

A sessão foi requerida pela deputada Juliana Cardoso e pelo deputado José Guimarães. “Queremos partilhar desse momento principalmente com um lema e um tema tão simbólico para o Brasil, que é o tema da fome”, salientou o José Guimarães.

“Queremos homenagear a iniciativa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que traz reflexões e engajamento da comunidade em torno de ações solidárias que possam, ao fim, combater esse flagelo que assola parte considerável da população brasileira, trilhando os caminhos para a retirada do Brasil novamente do Mapa da Fome da ONU”, dizia o trecho do requerimento do deputado José Guimarães.

A sessão foi iniciada com o canto do hino nacional e com a apresentação do vídeo que traz uma mensagem do Papa Francisco por ocasião da Campanha da Fraternidade 2023. Na sequência, foi lida a mensagem do presidente da Câmara acolhendo os pedidos dos deputados para que todos se emanem na Campanha organizada pela CNBB. “Nesta casa onde a representação do povo brasileiro está manifestada de forma direta e legítima não podemos nos furtar às reflexões e aos debates que se fazem inadiáveis diante de situações extremas”, disse no texto.

(…) “De fato não temos o direito de ficar inertes enquanto os cidadãos desse país não tem certeza de que conseguirão fazer a próxima refeição. Precisamos agir e agir rápido pois a fome tem pressa”, enfatizou no texto.

A deputada Juliana Cardoso salientou, em seu pronunciamento, que era com muito orgulho e satisfação propor e aprovar a realização da sessão. Afirmou que a Quaresma é marcada pelas Campanhas da Fraternidade que são realizadas desde 1962, com temáticas que dialogam com a sociedade.

Lembrou das Campanhas anteriores que trataram sobre o meio ambiente, a cultura de violência, a população indígena, entre outras. E enfatizou que essa já é a terceira vez que a Igreja retrata a problemática da fome.

“Precisamos ser esse local onde as pessoas possam conseguir fazer as suas denúncias sem passar medo e a Igreja tem o papel importantíssimo para poder chamar a responsabilidade do executivo e do legislativo quando assim o for; isso não significa que vamos fazer uma bandeira partidária, mas que vamos traçar aquilo que Jesus Cristo percorreu quando chegou aqui para falar sobre as injustiças que estavam ocorrendo naquele momento”, disse.

“A fome é uma ameaça à democracia”

O secretário-geral da CNBB, dom Joel Portella Amado, manifestou saudação ao poder legislativo do país. Agradeceu a iniciativa da sessão em homenagem à CF dedicada a suscitar à reflexão e, mais do que isso, à ação em torno da fome no país.  “Penso não estar exagerando em dizer que esse agradecimento é de todas as pessoas que experimentam a triste e vergonhosa situação da aguda insegurança alimentar nesse país”, disse.

O secretário-geral da CNBB retomou a história do nascimento da CF  e seus objetivos. Reiterou que a iniciativa só existe no Brasil, embora outros países possuam experiências semelhantes no período que antecede a Páscoa. Essa peculiaridade, segundo dom Joel, traz uma responsabilidade grande na escolha do tema e por fazer chegá-la a toda a sociedade.

“Ela nasce na Igreja católica, mas não é algo autorreferencial, ela quer falar a toda a sociedade brasileira. E por fim não permitindo que chegando à pascoa o tema escolhido se torne apenas uma espécie de recordação, mas que seus objetivos sejam alcançados”, enfatizou.

Em 2023, dom Joel retomou que o tema escolhido foi a fome.  O motivo, de acordo com ele, é que o Brasil regressou ao mapa da fome. Salientou os números de pesquisas feitas no país que retratam a realidade e o clamor pelo alimento.

Segundo dom Joel, o pensamento da Igreja sobre a fome está manifestado no texto-base da CF, referência em termos de Campanha da Fraternidade. “Não há como diante da fome permanecer na inércia. A fome de uma pessoa deve nos incomodar; como não pensar na fome de milhões de irmãos nossos?”, disse.

Para a superação do quadro de insegurança alimentar no Brasil, o secretário-geral da CNBB, destacou que é preciso reconhecer que a fome é um “vandalismo silencioso” a cada ser humano. “(…) É preciso tomar atitudes em vista da superação para que nosso país não veja a sua democracia ameaçada pela existência de filhos e filhas que experimentam de forma absurda a insegurança alimentar; se é que existe alguma forma de insegurança alimentar que não seja absurda”, disse.

“Se acreditamos na democracia precisamos nos unir para garantí-la todas as vezes em que é ameaçada; e a fome é uma ameaça à democracia”, disse dom Joel.

Também estiveram presentes na sessão legislativa os padres Patriky Samuel Batista, subsecretário adjunto geral da CNBB e o Jean Poul Hansen, assessor das Campanhas da CNBB.

Fonte: CNBB

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