Bem-estar humano e sustentabilidade

Precisamos promover a troca do crescimento (quantidade) pelo desenvolvimento (qualidade).

Por Marcus Eduardo de Oliveira

O modo de crescimento das economias, principalmente na era do industrialismo, tem sido a causa mais relevante de distúrbios levados ao meio ambiente. O ônus ambiental ora presenciado é sintomaticamente gerado, pois, pelo avanço dos mercados econômicos, legitimando assim a economia de mercado em detrimento aos cuidados maiores junto ao mundo vivo. Somem-se a isso duas outras constatações que têm colocado mais peso na crise civilizacional: a dimensão quantitativa populacional, com estimativas de que, em 2050, 9,5 bilhões de pessoas estarão habitando um único Planeta, e o não menos doentio modo consumista da humanidade (os 20% mais ricos “abocanham” quase 80% de toda a produção material do planeta).

feemacaoPara esse último caso, registre-se apenas o modo american way of life como paradigma, para enfatizar que, se toda a humanidade pleitear o mesmo padrão de vida e consumo médio do contingente populacional dos Estados Unidos (5% da população mundial), a existência de três outros planetas Terras (como se realmente fosse possível) ainda assim não seria o suficiente para atender o tresloucado (e doentio) nível de consumo humano.

Daí para se chegar à fórmula ideal (imaginemos assim) que combine bem-estar associado à qualidade de vida, com equilíbrio das condições climáticas (desde que alcançada à política de sustentabilidade) precisamos promover a troca do “crescimento” (quantidade) por “desenvolvimento” (qualidade), deixando bem claro, nessa direção, que a expansão física das economias com a preservação ambiental, nos moldes hoje conhecidos, é incompatível. Do mesmo modo, se faz necessário resgatar a noção de que o bem-estar – lídimo desejo de todos - está amparado no âmbito do desenvolvimento econômico, e não no do crescimento, assim como a própria ideia de sustentabilidade, analogamente, não combina com o expansionismo econômico, com a aceleração do ciclo de negócios ou ainda com a capacidade de produção industrial sem limites.

Importa ainda não perder de vista que a ocorrência de qualquer tipo de crescimento – especialmente da economia, da população e do consumo – tende mais a retirar qualidade de vida dos povos; exatamente porque isso leva ao rompimento de limites planetários. Tanto que se diz que o outro nome adequado para explicar a condição de “limites transpostos” é, sem mais, “destruição de recursos”. O distante discurso do presidente Roosevelt, de 1909, feito no Senado dos EUA nos ajuda a entender isso tudo: “Se nós, desta geração, destruirmos os recursos que são necessários a nossos filhos, se nós reduzirmos a capacidade de nossa terra de manter uma população, nós diminuiremos o nível de vida e nós retiraremos até o direito à vida das gerações futuras neste continente”.

Marcus Eduardo de Oliveira é economista e ativista ambiental. Autor de “Civilização em Desajuste com os Limites Planetários” (CRV, 2018). prof.marcuseduardo@bol.com.br

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