Bispo de Roraima visita comunidades indígenas

Dom Mário Antônio visitou algumas comunidades da missão Camará da Região Baixo Cotingo na Terra Indígena Raposa Serra do Sol entre os dias 9 e 13 de dezembro.

Por Jean-Claude Bafutanga e Oscar Liofo

Algumas semanas depois da sua participação no Sínodo para a Amazônia, o bispo da diocese de Roraima, Dom Mário Antônio visitou algumas comunidades da missão Camará da Região Baixo Cotingo na Terra Indígena Raposa Serra do Sol entre os dias 9 e 13 de dezembro. Foi um momento de muita alegria e emoção para o povo indígena Macuxi receber o seu grande pastor. A acolhida nas comunidades reservada ao bispo e sua comitiva foi um momento de manifestar esta alegria de ver quanto o bispo deu valor a este povo, deixando outras atividades para poder visitá-las durante cinco dias. Durante esta visita, Dom Mário Antônio celebrou várias missas onde confirmou jovens e adultos; deu primeira comunhão a muitos que se prepararam durante dois anos através da catequese orientada pelos catequistas e também pelos padres da missão Camará. Também foram inauguradas e consagradas quatro novas igrejas católicas.

dommarioantonio2Sabendo que a vida dos sacramentos não tira o valor da cultura, o povo indígena Macuxi desta região escolheu receber os sacramentos de traje indígena (vestido tradicional) que também alegrou muito o bispo e os padres. Estas celebrações foram realizadas nos subcentros onde as comunidades se reuniram para não só participar da missa e dos sacramentos, mas também para dialogar, escutar e ser escutado.

A primeira celebração foi no subcentro Santa Maria no dia 10 de dezembro, uma comunidade de difícil acesso. Depois de duas horas de viagem de uma distância de 45 km a partir de Caramá, o bispo e sua comitiva foram acolhidos com muita alegria. Esta acolhida calorosa fez com que todos esquecessem as dificuldades da estrada e deu forças para prosseguir a visita às outras comunidades. Houve missa de crisma e primeira comunhão junto com as apresentações culturais. A segunda celebração foi na comunidade São Francisco no dia 11 de dezembro onde foi também consagrada e abençoada a nova igreja construída pela comunidade e pela colaboração da missão com o título de Cristo Rei. Durante a missa, vários jovens e adultos foram crismados e receberam também a primeira comunhão. Só um jovem de 18 anos foi batizado no mesmo dia.

No dia 12 de dezembro, o bispo inaugurou a igreja da comunidade de Kurapá tendo nossa Senhora de Guadalupe como padroeira. Nesta comunidade, foi notada a presença de muitas lideranças que se expressaram diante do bispo agradecendo a presença dos missionários na região e denunciando os anti-valores que circulam nas comunidades. Também durante a missão, muitos receberam os sacramentos da iniciação cristã. No mesmo dia, foi inaugurada na parte de tarde a Igreja da Comunidade Escondido tendo nossa Senhora de Fátima como padroeira. O bispo batizou 21 crianças desta comunidade. Foi um momento de alegria para toda a comunidade tendo novos irmãos na fé e também a nova igreja abençoada.

No dia 13, na parte de manhã, várias comunidades do subcentro Camará se reuniram para participar da celebração eucarística durante a qual dom Mário Antônio crismou jovens e adultos inclusive tuxauas e deu a primeira comunhão a muitos adolescentes. E na parte de tarde, a comunidade de Canavial recebeu o bispo com grande alegria porque fazia 15 anos que um bispo não visitava aquela comunidade. Foram momentos de alegria. Uma nova igreja foi abençoada nesta comunidade e dois casais contraíram matrimônio e também 11 crianças foram batizadas.

Nas suas falas nesta visita, o bispo lembrou às comunidades a importância de viver unidas valorizando a própria cultura macuxi que é um presente que vem de Deus. Também pediu a todos para ficarem atentos para não serem enganados pelos políticos que buscam dividir para bem reinar. O bispo considerou a terra desta região como uma terra sagrada que deve ser protegida por todos. Lembrou todas as comunidades que fazem parte da diocese de Roraima e que ele se sente bem nas comunidades indígenas da mesma forma quando está na catedral. Não faltaram palavras de agradecimentos pela acolhida calorosa reservada a ele e sua comitiva. E agradeceu os padres missionários e as irmãs missionárias da Consolata pelo grande trabalho que estão realizando nesta terra tão sagrada.

Jean-Claude Bafutanga e Oscar Liofo, imc, são missionários na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, Amazônia.

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