Papa reúne-se com indígenas para lançar Sínodo especial

Região Amazônica tem estado no centro das preocupações de Francisco.

Por Agência Ecclesia

O Papa vai encontrar-se hoje no Peru com milhares de indígenas da Amazônia, num gesto que é visto como o lançamento da assembleia especial do Sínodo dos Bispos para a região pan-amazônica, marcada para outubro de 2019, no Vaticano.

indigenasperuO Sínodo especial foi anunciado por Francisco no último mês de outubro, com o objetivo de “identificar caminhos para a evangelização” na região, com atenção especial aos indígenas, “muitas vezes esquecidos e sem a perspetiva de um futuro sereno”.

O pontífice alertou para a atual crise da “floresta amazônica”, que apresentou como “pulmão de capital importância” para o planeta.

O Papa já tinha aprovado a criação de uma Rede Eclesial Pan-Amazônica, REPAM, que inclui representantes de comunidades católicas de nove territórios: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana-Francesa, Peru, Suriname e Venezuela.

Em setembro de 2017, na sua viagem à Colômbia, o Papa convidou a respeitar a sabedoria dos povos indígenas da Amazônia, que passar pelo respeito da “sacralidade da vida” e da natureza.

“A Amazônia constitui, para todos nós, um teste decisivo para verificar se a nossa sociedade, quase sempre confinada ao materialismo e no pragmatismo, está em condições de salvaguardar o que recebeu gratuitamente, não para o espoliar, mas para o fazer frutificar”, apelou.

O irmão Bernardino Frutuoso, missionário comboniano que viveu durante 10 anos no Peru, afirma que o Papa leva à região uma mensagem de respeito pelos povos indígenas.

O religioso antevê um encontro de “muita fraternidade e alegria”, dominado pela esperança na construção futura do país.

“A cosmovisão de que não somos donos da natureza é o melhor que os povos indígenas nos podem dar. O bom viver, como eles nos dizem, mostra que a natureza é nossa mãe e com ela podemos relacionar-nos sem a destruir”, precisa o irmão Bernardino Frutuoso.

Em Puerto Maldonado, cerca de 850 quilômetros a leste de Lima, o Papa vai encontrar-se com 3500 representantes das comunidades indígenas da Amazônia.

Na sua encíclica ‘Laudato si’, o Papa deixou sobre a desflorestação da Amazônia, sustentando que a exploração dos recursos naturais não deve apostar no benefício imediato.

Em 2013, no Brasil, Francisco disse aos bispos católicos do país que a Amazônia representa um “teste decisivo” para a Igreja e a sociedade.

“A Igreja está na Amazônia, não como aqueles que têm as malas na mão para partir depois de terem explorado tudo o que puderam. Desde o início que a Igreja está presente na Amazônia com missionários, congregações religiosas, e lá continua ainda presente e determinante no futuro daquela área”, sublinhou.

Dois anos depois, no Equador, o Papa apelou à defesa da biodiversidade e das florestas da Amazônia, durante um encontro com representantes da sociedade civil e um grupo de delegados das populações indígenas amazônicas.

“O Equador – juntamente com os outros países detentores de franjas amazônicas – tem uma oportunidade para exercer a pedagogia duma ecologia integral. Recebemos o mundo como herança dos nossos pais, mas também, lembremo-nos, como empréstimo dos nossos filhos e das gerações futuras, a quem o temos de devolver, e melhorado”, declarou, na igreja de São Francisco, em Quito.

Retomando os alertas que deixou na sua encíclica ‘Laudato si’ sobre a desflorestação da Amazônia, o Papa argentino sustentou que a exploração dos recursos naturais “não deve apostar no benefício imediato”.

“O conceito econômico de justiça, baseado no princípio de compra-venda, é superado pelo conceito de justiça social, que defende o direito fundamental da pessoa a uma vida digna”, observou.

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