Ano Nacional do Laicato

O significado da solenidade litúrgica de Cristo Rei ilumina o “Ano Nacional do Laicato” que a Igreja Católica no Brasil realiza de 26 de novembro de 2017 a 25 de novembro de 2018.

Por Dom Rodolfo Luís Weber*

A solenidade de Cristo Rei conclui o ano litúrgico. A mensagem do Reino de Deus ocupa lugar central no Evangelho e nos ensinamentos de Cristo. A expressão “Reino de Deus” ocorre no conjunto do Novo Testamento 122 vezes.

CongressoMissionarioNacional29IAMFalar de Cristo Rei significa afirmar o senhorio de Deus sobre o universo, em três situações conexas: a transcendência absoluta de Deus, por causa disso, ele não pode ser reduzido a um objeto manipulado pelas pessoas; a sua presença na natureza e na história, gerando uma realidade salvífica. Enfim, o sentido que a realidade não é confiada apenas ao homem ou ao destino, mas na mente de Deus há um projeto. É uma solenidade litúrgica que acentua a importância de Deus, do homem, da história e do cosmos. Ressalta a soberania de Deus não na distância, mas na proximidade ao homem.

Diante de Cristo Rei e da sua proximidade nasce a provocação e espera-se uma resposta ao seu projeto de amor. Proporciona um balanço da existência, convida para um envolvimento no projeto para que se torne acontecimento na história presente, pois Ele está no meio de nós. Ele nos faz abraçar o tempo presente da história com todas as suas contradições.

O significado da solenidade litúrgica de Cristo Rei ilumina o “Ano Nacional do Laicato” que a Igreja Católica no Brasil realiza de 26 de novembro de 2017 a 25 de novembro de 2018. O tema que agrega as diferentes atividades está expresso assim: “Cristãos leigos e leigas, sujeitos na ‘Igreja em saída’, a serviço do Reino”. Sal da terra e luz do mundo (cf. Mt 5,13-14). Foi definido como objetivo geral do ano laicato: “Como Igreja, Povo de Deus: Celebrar a presença e a organização dos cristãos leigos e leigas no Brasil; aprofundar a sua identidade, vocação, espiritualidade e missão; testemunhar Jesus Cristo e seu Reino na sociedade”.

A Igreja é feita de batizados que receberam o mesmo Espírito Santo, aderiram a Jesus Cristo que os fez professarem a mesma de fé e assumirem o mesmo projeto do Reino de Deus. O batismo conferiu a todos a mesma dignidade, diante de Deus e das pessoas. Os que tem a mesma dignidade exercem diferentes funções e ministérios na Igreja. Neste sentido, os leigos não substituem o clero e os religiosos, nem o clero e os religiosos substituem os leigos naquilo que lhes compete por vocação e missão.

A missão dos leigos na Igreja é insubstituível, pois são discípulos e missionários nos mais diferentes ambientes eclesiais. Participam ativamente na ação pastoral da Igreja, desde a organização das comunidades, na catequese, na liturgia, nas celebrações, nas pastorais, grupos e serviços, entre outros. Levam as pessoas a Cristo e Cristo às pessoas, aprofundando a fé a adesão Ele.

Se a missão dos leigos na Igreja é insubstituível o mesmo vale para a sua missão no mundo. A sua missão no mundo é administrar e ordenar as coisas temporais. No exercício da profissão, no trabalho, na vida familiar e social são chamados por Deus, como leigos, a viver segundo o espírito do Evangelho, como fermento de santificação do mundo, brilhando em sua própria vida pelo testemunho da fé, da esperança e do amor, de maneira a manifestar Cristo a todos os homens. Em outras palavras, é ter uma postura de cristão. É agir conforme a ética cristã. É não ficar indiferente diante das situações de sofrimentos, de injustiças e da degradação social e moral da social. É propor leis e meios de promover o bem comum.

*Dom Rodolfo Luís Weber é arcebispo de Passo Fundo, RS.

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