Maioria de venezuelanos em Roraima é jovem e está trabalhando

Estudo realizado pelo Conselho Nacional de Imigração aponta perfil sociodemográfico e laboral e vai ajudar na formulação de políticas migratórias para imigrantes no Brasil.

Por ACNUR

A maioria dos venezuelanos não indígenas vivendo em Roraima é jovem, possui boa escolaridade, tem atividade remunerada e paga aluguel para morar. Entre os que trabalham, 51% recebem menos de um salário mínimo e 28% estão formalmente empregados. Muitos enviam ajuda financeira aos familiares que estão na Venezuela, e apontam a crise econômica e política como principal motivo para se deslocar. Já os venezuelanos indígenas que vivem em Roraima indicam a fome como motivo de seu deslocamento, sendo que as mulheres são a principal fonte de renda neste grupo.

Estes são alguns dos resultados revelados pelo perfil sócio demográfico e laboral dos venezuelanos que vivem em Roraima, em pesquisa promovida pelo Conselho Nacional de Imigração (CNIg), vinculado ao Ministério do Trabalho. A pesquisa foi realizada pela Cátedra Sérgio Vieira de Mello na Universidade Federal de Roraima (UFRR), por meio do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) e com apoio do ACNUR (Agência da ONU para Refugiados).

crisevenezuela“Esse é um trabalho muito importante para conhecermos os principais dados desta população e subsidiar as políticas migratórias, de acordo com as necessidades da imigração venezuelana no Brasil”, comentou o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira. “A pesquisa nos dá maior clareza sobre este processo de deslocamento forçado, com informações valiosas sobre as estratégicas de chegada e permanência dos venezuelanos no Brasil”, comentou o oficial da Unidade de Meios de Vida do ACNUR, Paulo Sérgio de Almeida.

A metodologia da pesquisa foi preparada pelo OBMigra. Na primeira parte do estudo, foram aplicadas 650 entrevistas entre não indígenas, com 18 anos ou mais de idade, em 33 bairros do município de Boa Vista. Na outra parte, foi realizado um estudo etnográfico, nas cidades de Boa Vista e Pacaraima, com famílias e líderes dos Warao – etnia indígena oriunda, principalmente, da região do delta do Orinoco, na Venezuela.

O levantamento mostra que 72% dos venezuelanos não-indígenas são jovens entre 20 e 39 anos, a maioria do sexo masculino (63%) e solteiros (54%). Praticamente um em cada três (32%) tem curso superior completo ou pós-graduação, enquanto três em cada quatro (78%) chegam com nível médio completo. Entre os não-indígenas, 82% já apresentaram pedido de refúgio. Nesse caso, cerca de 1/3 deles tem o protocolo de refúgio, 23% possuem carteira de trabalho, 29% têm CPF e 4% não possuem nenhum documento.

Para o presidente do CNIg, Hugo Gallo, “os venezuelanos não-indígenas têm forte potencial de inserção na sociedade e no mercado de trabalho brasileiro devido às características etárias e educacionais”. A pesquisa revelou que a maioria destes venezuelanos já trabalha em alguma atividade remunerada (60%), com 28% formalmente empregados. Os principais ramos de atividade são o comércio (37%), serviço de alimentação (21%) e construção civil (13%). Mais da metade dos entrevistados (54,2%) envia dinheiro (de R$ 100 a R$ 500) para cônjuge e filhos na Venezuela, ajudando no sustento desses familiares.

O principal motivo para deixar a Venezuela foi a crise econômica (77%) e a maioria dos entrevistados (67%) entrou no Brasil em 2017. Eles vêm de 24 regiões venezuelanas, mas principalmente dos estados de Bolívar (26%) e Monagas (16%) e de Caracas (15%). Mais da metade (58%) deles teve apoio de redes migratórias, como amigos e familiares que já residem no Brasil. A pesquisa revela que, em geral os venezuelanos não-indígenas em Roraima têm pouco conhecimento do português e muitos não estudam o idioma.

Pouco mais da metade dos venezuelanos não-indígenas já acessa serviços públicos em Roraima, principalmente na área da saúde (39%), mas quase a metade do total (48,4%) ainda não utilizou nenhum serviço público.

Apesar de se tratar de um mesmo fluxo migratório, o estudo revela que as políticas públicas para indígenas e não-indígenas devem ser distintas, considerando as suas diferenças culturais, de necessidades e de perspectivas. “Há uma maior necessidade de aprimorar as políticas migratórias para este segmento da população, com a ampliação e melhoria na qualidade do atendimento nas áreas de saúde, educação e assistência social, passando pela devida capacitação dos agentes públicos locais. Além disso, há a necessidade de fortalecer as atividades da sociedade civil já em andamento”, diz o presidente do CNIg, Hugo Gallo.

Acesse a matéria completa e imagens em: https://goo.gl/7V5KoE

Fonte: ACNUR

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