Carta do Bispo de Roraima

Roque Paloschi *

Aos cristãos católicos e a todas as pessoas de boa vontade

Paz e Bem!

O momento político atual é tempo favorável para "passar o Brasil a limpo". Nós, como cristãos católicos, não podemos deixar de assumir nossa responsabilidade no processo eleitoral.

Fizemos uma boa caminhada no sentido da transparência das eleições, em suas diversas fases. Em Roraima, testemunhamos o esforço de membros do Ministério Público com o objetivo de impedir práticas políticas ilegais e desonestas. A lei nº. 9840/88, de iniciativa popular, provocou a cassação de muitos ocupantes de cargos públicos. Também de iniciativa popular é a lei da "Ficha Limpa", que já está sendo aplicada no processo eleitoral em andamento.

No entanto, ainda resta muito a fazer. Existe algo que cada um de nós, e apenas cada um pode fazer: não aceitar, de jeito nenhum, a oferta de dinheiro ou de qualquer outra vantagem em troca do voto. Votar é um direito de cidadania, não tem preço. Nossa dignidade não pode ser comprada, nem vendida.

Entretanto, muitos se vendem, porque se há políticos que corrompem, há também eleitores e eleitoras que se deixam corromper. A responsabilidade pesa de ambos os lados, inclusive em termos de penalidades legais. Porém, a pena maior é para a própria população, que será governada por tais políticos por mais quatro anos.

Com base em valores éticos, princípios da Doutrina Social da Igreja e, diretrizes da CNBB queremos lembrar aos eleitores, no momento de escolher seus candidatos, alguns pontos importantes, sobretudo para nossa realidade de Roraima.
1.Conhecimento da vida passada do candidato e sua atitude diante da corrupção.
2.Conhecimento das propostas apresentadas em defesa da vida de todos, sem excluir ninguém.
3.Atenção especial a crianças e adolescentes, merecedoras de uma educação de qualidade.
4.Atenção aos mais necessitados, como doentes e idosos, favorecendo a saúde pública.
5.Compromisso com a causa indígena, assumindo suas consequências.
6.Incentivo aos pequenos agricultores e iniciativas de geração de emprego e renda.
7.Atendimento das necessidades das famílias residentes nas periferias das maiores cidades.
8.Atenção à ecologia, contra projetos devastadores e poluidores em nome do "progresso".
9.Respeito aos direitos humanos, contra todo tipo de preconceito e discriminação.
10.Incentivo à participação dos cidadãos na elaboração de políticas e gestão de recursos públicos.

Uma palavra aos candidatos e candidatas:
Reconhecemos o esforço dos senhores e senhoras para bem se prepararem à disputa eleitoral. Consideramos positiva a vontade de submeter aos eleitores suas propostas e bandeiras, com uma postura ética de respeito aos adversários políticos, discutindo propostas objetivas de governo, sem agressões pessoais.

Como cidadãos e eleitores, esperamos que a campanha seja marcada por um debate fecundo e facilite às pessoas discernirem o melhor para construir um país justo e solidário.

Desejamos que o processo eleitoral nos ajude a crescer no exercício da cidadania, pois confiamos nos caminhos da política como meio privilegiado para promover o bem comum.

Boa Vista, 2 de setembro de 2010.

* Dom Roque Palosch, bispo de Boa Vista, RR.

Fonte: Dom Roque Paloschi

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