Mãe Imaculada desde a sua Conceição

Servilio Conti, imc

Nossa Senhora Protagonista dos Missionários

Além de ser a Mãe de Deus, Nossa Senhora é Mãe da Igreja Missionária. "Pois Deus amou de tal forma o mundo, que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele acredita não morra, mas tenha a vida eterna" (Jo 3,16).

O início de nossa Redenção partiu de Deus Pai, rico em misericórdia, como diz a Bíblia. Ele teve compaixão de nós, suas criaturas que pelo pecado original dos nossos primeiros pais, fomos excluídos da vida eterna que teria sido reservada para nós. Então, Deus elaborou uma redenção em nosso favor. Ele pensou em mandar seu Filho Primogênito em condições humanas, para que em nosso nome fôssemos redimidos dos pecados, restituindo-nos a herança eterna. Para realizar tudo isso, Deus queria uma cooperação humana que gerasse seu filho na natureza humana, a fim de ser semelhante a nós com exceção do pecado.

Recorreu a uma jovem hebréia pedindo-lhe o consentimento para fecundar o sei seio materno, pelo Espírito Santo. Mandou o Arcanjo Gabriel que saudou Maria: "Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!(...) Eis que conceberá no teu seio e darás à luz um filho, e o chamarás com o nome de Jesus. (...) O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo vai te cobrir com a sua sombra; por isso o Santo que nascer será chamado Filho de Deus (Lc 1,30-36). E a resposta de Maria foi: "Eis aqui a sua serva do Senhor, faça em mim conforme a sua Palavra! Daquele momento "O Verbo de Deus se fez homem e habitou entre nós" (Jo 1,14).
Este foi o primeiro instrumento para evangelização do mundo. Maria, como primeiro gesto, levantou-se e foi às pressas às montanhas, para a casa de Zacarias e Isabel que já fazia seis meses que estava grávida, colocando-se gratuitamente ao seu serviço (Lc 1, 36-38).

Ai realizou seu primeiro anúncio da vinda do Salvador: a Boa Nova do Evangelho que deveria alcançar todos os povos do mundo. É o percurso missionário da Igreja e dos cristãos. Assim como o Deus de Israel em Cristo visitou o seu povo (Lc 1,68) e como Maria visitou Isabel e a criança que estremeceu em seu seio, a Igreja continua, em todos os tempos, a visitar cada ser humano que se abre à salvação de Deus.

A viagem de Maria até Isabel não foi casual, mas deriva da viagem que Deus iniciou desde toda a eternidade. É a viagem da encarnação do Verbo.

Isabel ao encontrar-se com Maria sentiu a presença do Espírito Santo que levou a proclamar a Fé de Maria no grande Mistério da Encarnação: "Bendita és Tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre". A alma de toda evangelização é a Fé. Os Padres da Igreja e particularmente Santo Agostinho, deixou escrito: "Maria foi bem- aventurada por ter concebido o Corpo de Cristo, o foi com maior razão por ter acolhido com fé o anúncio de Cristo. Nenhum valor teria tido para ela ter carregado em seu seio o Cristo Jesus, se não o tivesse carregado em seu coração com fé e amor".

Fruto da fé amorosa e da carne virginal de Maria é Jesus concebido, carregado em seu seio e doado a Isabel e ao filho João nas vésperas do deu nascimento. Tudo se operou pela Fé.
Estamos portanto apontando o coração da missão evangelizadora da Igreja: Cristo Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, filho do Pai eterno e filho da Mãe Virgem, único e universal e necessário Salvador do homem e do mundo. Além disso Maria testemunha sua fé no Senhor com o canto do Magnificat: "A minha alma glorifica ao Senhor e o meu espírito exulta em Deus meu Salvador" (Lc 1, 47-47)

"A fé sem obras é morta", nos diz o apóstolo São Tiago. Pois bem, a Fé de Maria se concretizou imediatamente levando-a à casa de Isabel, prestando serviço solícito e amoroso à uma mãe idosa, isolada em sua casa nas vésperas do nascimento do filho João, precursor de Jesus.

Ela é aquela que amamentou Jesus em sua infância, o ensaiou nos inícios da vida: alimentar-se, falar, caminhar e se inserir na sociedade do trabalho. Em várias ocasiões encontramos Maria no percurso de sua evangelização. Apresentou Jesus nas bodas de Cana solicitando aos servos: "Fazei tudo o que Jesus vos disser". Estava ao pé da Cruz, firme, compartilhando das dores do Filho para nossa salvação, e é lá que recebeu de Jesus a missão de cuidar da Igreja da qual devia ser Mãe: "Filho eis a tua Mãe, Mãe, eis aí o teu Filho" (Jo 19,26-27).

Sem dúvida Maria acompanhou os Apóstolos, dirigindo-os espiritualmente na véspera da vinda do Espírito Santo. Foi com certeza o elo da união dos Apóstolos, consolando-os nas primeiras perseguições. E a tradição conta que Maria acompanhou o evangelista São João até Éfeso onde se conserva uma capela que relembra a residência de Nossa Senhora naquela comunidade cristã.

Devemos reconhecer com justiça a Missionariedade de Maria em acompanhar a Igreja primitiva. Com certeza ela foi o modelo, o princípio, o exemplo e o estímulo para os Apóstolos na missionariedade da Igreja primitiva, assim como evidencia o Concílio Vaticano II (Lumem Gentium). "Mesmo em sua obra apostólica a Igreja deve valorizar a presença de Maria , porque gerou o Cristo como obra do Espírito Santo, a fim de que possa nascer e crescer no coração dos fiéis. De fato Maria em sua vida foi modelo daquele amor materno do qual devem ser animados todos aqueles que na missão apostólica da Igreja, cooperaram na evangelização dos homens (Lumem Gentium, 65).

Maria protagonista da missionariedade da Igreja

Se Maria acompanhou os apóstolos na difícil tarefa da evangelização, depois de ter sido elevada ao Céu em corpo e alma, e coroada Mãe e Rainha, continuou com maior eficiência a proteger e ajudar a Igreja, como Estrela da evangelização.

Muitas são as referências dos santos padres, desde os primeiros séculos, relativas à Proteção que dispensa Maria na vida da Igreja. Foi neste clima que se esboçaram os títulos gloriosos atribuídos a Maria Santíssima, tais como: Maria Mãe da Igreja, Mãe de Cristo sempre Virgem, Mãe Imaculada desde a sua Conceição e Maria assunta ao Céu.

O clima devocional em louvor de Nossa Senhora foi crescendo e favoreceu a construção de tantos Santuários Marianos, que se prendem à aparições ou à milagres atribuídos a Ela.
Estes Santuários, que se contam aos milhares no mundo, além de constituir gesto de gratidão, são centros de espiritualidade onde os referidos, procuram um momento de fé, exortados pelas palavras de Maria: "Façam tudo o que Jesus vos disser". O Santo Cura D'Ars costumava dizer que Nossa Senhora lá no Céu não estará tranqüila até que exista uma só pessoa a ser salva!

* Dom Servílio Conti, imc, bispo Emérito de Boa Vista, Roraima.

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