Partidos, pragmatismos e ideologias

O pragmatismo está mesmo matando a essência da política: a construção do bem comum.

Por Nei Alberto Pies*

Nas últimas décadas, aprendemos fazer política através dos partidos. Fundamos e construímos partidos como ferramentas de mudança e transformação social.

democracia1Hoje, os partidos no Brasil não fazem mais alianças programáticas e ideológicas, mas somente acordos de interesses pela tomada do poder, o que empobrece a política e a torna um grande balcão de negócios e de interesses. O pragmatismo não concebe mais a construção de um capital social ou a manutenção deste junto aos eleitores. O pragmatismo impõe-se para sufocar a diversidade dos pensamentos. O pragmatismo opera resultados, não importando-se com os processos.

O que acontece em Brasília reproduz-se, em larga escala, em nossos municípios. Surgem então, perguntas emblemáticas: a) Os partidos perderam sua função de organizar propostas e programas para governar nossas cidades? b) É possível fazer política fora dos partidos? c) Será agora a grande mídia, o Judiciário, o Ministério Público e a Polícia Federal que darão os ordenamentos jurídicos, organizativos e políticos da política?

As circunstâncias do momento histórico colocam em cheque quase tudo o que aprendemos sobre política e organização social. Desaprendemos fazer política? Desconsideraremos, por definitivo, as mentes críticas, as organizações e movimentos sociais, os lutadores que ainda estão a fim de organizar a sociedade com base na cidadania, nos direitos humanos e sociais, nas oportunidades de estudo, cultura e trabalho para todos?

Fato é que, fora da política não há soluções que promovam a liberdade e a democracia. Fora da política reina a ditadura. Antes tarde que mais tarde, resistamos pelas práticas democráticas que nos permitiram
experimentar uma cidadania com mais oportunidades para todos e a construção de cidades que respeitem as vontades e a necessidades dos seus habitantes. As cidades não podem ser concebidas como reinados; elas devem conceber o debate, a pluralidade e a prática cotidiana da democracia.

As práticas sociais e políticas sempre devem ser construídas com a baliza dos méritos e métodos. Democracia é poder do povo e deve ser exercida todos os dias, em todas as instâncias e respeitando todas as ideologias.

*Nei Alberto Pies é professor, escritor e ativista de direitos humanos.

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