Dia Internacional de Combate à Pobreza

'Pobres sempre os tereis entre vós.' (Mt 26, 11)

Por Carlos Roberto Marques *
cidadaniaout2015

Criança refugiada desnutrida em Hospital Medecins Sans no campo de refugiados de Dagahaley, Quênia. Foto: Oli Scarff

Dia 17 de outubro é, por decisão da Organização das Nações Unidas, o Dia Internacional de Combate à Pobreza. O projeto é da ONU: até 2030, erradicar a pobreza no mundo. O plano não é apenas acabar com a fome, mas dar a todas as pessoas uma vida digna, com saúde, moraria decente, água tratada, saneamento básico, instrução, trabalho, e meios sustentáveis de subsistência, que incluem também cuidados com a terra e a natureza. Para isso, espera contar com doações de países ricos e colaboração de universidades e organizações cuja experiência deve representar grande contribuição.

Não se trata de um projeto assistencialista, embora se reconheça que, numa situação emergencial, o assistencialismo seja uma necessidade. O objetivo é mesmo o da independência e da inserção. O foco são países da África, mas inclui países da Ásia, da América Latina e do Oriente Médio. O projeto é da ONU, mas a missão é de todos.

Cerca de 1,6 bilhão de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza e passam fome. São indivíduos que sobrevivem com menos de US$ 1,25 por dia, menos de R$ 5,00 no nosso câmbio atual, ou R$ 150,00 por mês, para comer, beber, vestir-se e morar. É mais de um quinto da população mundial. Isto se deve, em parte, à escassez de recursos naturais em determinadas regiões, e também à má distribuição de renda; esta, sim, a mais condenável.

Injustiça social

Uma organização internacional não governamental, a Oxfam, criada por professores e alunos da Universidade de Oxford, que atua na luta contra a pobreza, apurou que as cem pessoas mais ricas do mundo têm uma renda anual líquida da ordem de 240 bilhões de dólares, e apenas um quarto disso bastaria para acabar com a pobreza no mundo, se aplicado em programas bem direcionados. São apenas 1.826 os bilionários no planeta, segundo a revista Forbes. Um mínimo de desapego desses super ricos bastaria para que o objetivo da ONU fosse rapidamente alcançado.

Somos hoje pouco mais de 7 bilhões de habitantes e estaríamos produzindo alimentos suficientes para 10 bilhões. Um terço disso é desperdiçado. Perde-se no transporte, no armazenamento inadequado, mas também joga-se fora simplesmente por que a aparência não atende aos padrões exigidos e, pior ainda, porque o produtor não conseguiu o preço mínimo desejado. Apenas um quarto do que é desperdiçado alimentaria cerca de 800 milhões de famintos.

Pobres sempre teremos entre nós, mas que sejam por opção, e não por falta de oportunidades, até porque é possível ser feliz na pobreza. Quem por ela opta não está abrindo mão do direito a uma vida digna, nem se condenando à miséria e à fome. Ainda que tudo faça parecer que o projeto da ONU é inatingível, pensemos no trabalho incansável de inúmeros missionários e missionárias que deram e dão a vida por esse mesmo objetivo e o vejamos como esperança. Temos 15 anos para acompanhar. Quem viver, verá?

* Carlos Roberto Marques é Leigo Missionário da Consolata – LMC, e membro da equipe de redação.

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