Cúpula dos Povos na Rio+20: ???Ninguém constrói uma história sozinho???

Vânia Aguiar Pinheiro e Mayane H. Bueno, Cúpula dos Povos na Rio +20

A declaração acima foi feita por Fernanda Kaingang, 34, nesta terça-feira (19), na Cúpula dos Povos, evento que acontece paralelo à Conferência Rio+20. Com essa afirmação, Fernanda, nascida no Rio Grande do Sul, uma das primeiras representantes indígenas do Brasil a receber o título de advogada, refere-se à organização dos povos indígenas que desde a Rio/92 preparou membros de suas comunidades para discutir e reivindicar as prioridades do grupo na Rio+20. "Nós vamos plantar sementes que vão virar florestas", reforçou ela, recebendo das pessoas que a ouviam um caloroso e entusiasmado aplauso.

Fernanda é mestre em Direito Público pela Universidade de Brasília (UnB), além de membro fundadora e diretora do Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual (INBRAPI), que trabalha com a execução de cursos de legislação brasileira em aldeias e com a defesa do patrimônio cultural dos povos indígenas do país. Ela enfatizou, na plenária que abriu espaço para "diálogos intergeracionais sobre sustentabilidade", a participação de sua mãe na ECO/92. Destacou que, para os indígenas, "a maior herança de um líder é deixar sucessores".

A advogada indígena comentou também a sua participação em uma mesa na Rio+20 que tratava sobre florestas. Criticou o fato de os diálogos, as negociações e a implementação de metas sobre florestas acontecerem sem a participação dos povos indígenas. "Nós somos povos que podem ensinar como é que se mantém floresta em pé, mas a gente nunca recebeu pelos serviços ambientais que nós prestamos", finalizou.

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Na mesma tenda, Tamara Paes, 19, uma jovem que saiu do Pará e foi para o Amazonas, falou também sobre as responsabilidades que a geração anterior tem deixado nas mãos dos jovens da geração atual. Desabafou que as pessoas têm apontado para os jovens como os responsáveis pelas mudanças que devem acontecer no mundo. "Eu digo pra vocês, jovens há mais tempo, que a responsabilidade não é só nossa. A sociedade não é só dos jovens. Nós temos um poder de mobilização e articulação muito grande, mas nós precisamos de vocês".

Em seguida afirmou: "Precisamos dos vossos sonhos, precisamos ouvir as vossas histórias. Precisamos das vossas expectativas, de exemplos vivos que nos mostrem a verdade e que não fiquem apontando na nossa cara, dizendo que a gente tem responsabilidade. Temos responsabilidade todos juntos". Afirmou ainda que os jovens querem e estão fazendo a sua parte e que o movimento da juventude fortalece as bases e mostra para outros jovens que eles também podem mudar a realidade. Encerrou convidando os jovens das gerações anteriores a permanecerem na luta por uma construção coletiva de um espaço mais sustentável.

Fonte: Revista Missões

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