A vida missionária no Alto Solimões, AM

Isaías Daniel e Izalene Tiene *

O Documento de Aparecida afirma: "A vida se acrescenta doando-a, e se enfraquece no isolamento e na comodidade. De fato, os que mais desfrutam da vida são os que deixam à margem a segurança e se apaixonam pela missão de comunicar vida aos demais. Vive-se muito melhor quando temos liberdade interior para doá-la." (360). Essa verdade já motivou inúmeros cristãos a assumirem a missão além-fronteiras.

A diocese do Alto Solimões, AM, é um campo fértil para os trabalhadores da vinha do Senhor. No coração da Amazônia continental esse pedaço de chão fronteiriço clama por missionários comprometidos com os Povos Indígenas, ribeirinhos, urbanos e imigrantes. As palavras do bispo diocesano, dom Alcimar, expressam a urgente necessidade da ação evangelizadora da Igreja: "A diocese de Alto Solimões é outro Brasil. Uma realidade distante que poucos conhecem e que, por causa de suas peculiaridades, necessita de pessoas, missionários capacitados, que entendam os indígenas e sua cultura para poder desenvolver atividades, projetos e missão junto a este povo".

O território geográfico diocesano compreende os municípios de Amaturá, Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Santo Antônio do Içá, São Paulo de Olivença, Tabatinga e Tonantins, e fica no extremo-oeste do estado do Amazonas. Faz limite com dois países: Colômbia e Peru, a diocese de Cruzeiro do Sul (AC-AM) e a Prelazia de Tefé (AM). Em linha reta, está há 1.100 km de Manaus, capital do estado. Sua sede fica no município de Tabatinga. Por razões históricas, leva o nome de um dos principais rios do Amazonas. É composta por oito paróquias, sendo que uma delas, Belém do Solimões, é território dos povos Tikuna.

A população indígena em toda diocese é de aproximadamente 40 mil pessoas. Há 20 anos tem como bispo o frei capuchinho dom Alcimar Caldas Magalhães.

A região tem uma densidade demográfica de 1,4 h/km² (habitante por quilômetro quadrado), uma população de pouco mais de 190 mil habitantes e superfície de 145.000 km². Possui um dos menores IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil. A renda per capita também é uma das menores do país, bem como o IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação) e a taxa de analfabetismo.

Já deu pra perceber que os desafios são imensos: tráfico de drogas, mobilidade humana, violência urbana exacerbada, escassez de políticas públicas, distâncias enormes, meios de comunicação precários, serviço de saúde deficiente, sobretudo para os indígenas, falta de sacerdotes, missionários e de leigos comprometidos, recursos econômicos escassos, entre outros.

A missão além-fronteiras exige do enviado de Deus uma série de virtudes, mas também torna transparente as suas fraquezas. O missionário não é o messias esperado, mas um humilde portador da luz divina. Essa luz ilumina a beleza do local onde ele pisa e a surpresa de Deus para aqueles que o recebem. Missão é uma troca de dons. Deus presenteia o missionário com o espetáculo da diversidade, e o campo missionário com a magia da criatividade. A certeza que sustenta a obra missionária é a promessa de Deus: "Você é meu servo. Eu escolhi você. Desde os confins do mundo eu tomei você e o chamei dos extremos da terra. Não tenha medo, pois estou com você. Não precisa olhar com desconfiança, pois eu sou seu Deus. Eu fortaleço você, eu o ajudo e o sustento com minha direita vitoriosa" (Is 41,8-10).

* Padre Isaías Daniel e Izalene Tiene, missionários do Regional Sul 1 da CNBB na diocese do Alto Solimões - AM.

 

Fonte: Revista Missões

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