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Abusos sexuais na Alemanha: Igreja pede transparência

08/03/2010 | Zenit

A diocese de Ratisbona examinará "com a máxima transparência" as acusações de abusos sexuais no coro dos Regensburger Domspatzen. Foi o que afirmou o porta-voz da diocese, Clemens Neck, que anunciou também a constituição de uma comissão de investigação ad hoc, segundo publica L'Osservatore Romano.

Em uma carta destinada aos pais das vítimas, foi o próprio bispo de Ratisbona, Dom Gerhard Ludwig Müller, quem divulgou a notícia de um caso de abuso que se remonta aos anos 50, verificado no internato onde se alojavam os coristas.

Culpado então foi o diretor do internato, seguidamente condenado e depois falecido. Em sua carta, o prelado convidou a dar declarações todos aqueles que poderiam ter conhecimento de fatos, com o objetivo de descobrir vítimas e culpados de outros episódios de abusos.

Até agora, quem denunciou o Coro foi uma pessoa que permanece no anonimato. Teria também um ex-aluno da escola elementar de Etterzhausen (que agora se encontra em Pielenhofen), uma instituição independente dos Domspatzen, que denunciou ter sido abusado no início dos anos 60. E a esse período se remontariam também os abusos sofridos por outra vítima, que denunciou o diretor do seminário de Weiden e alguns empregados.

O diretor do coro de Ratisbona, em uma carta publicada no website da diocese, mostrou-se "consternado pelo fato de que semelhantes fatos vergonhosos tenham ocorrido em instituições eclesiásticas", incluída a célebre instituição do Regensburger Domsplatzen, com mil anos de história.

Hoje, contudo - continua a carta - "não dispomos de mais elementos concretos sobre casos suspeitos de abusos dentro do Coro de Ratisbona".

Em um comunicado, o bispo de Ratisbona afirmou que os dois casos de abusos, que ocorreram em 1958, publicamente conhecidos já naquela época e que se devem considerar juridicamente encerrados, não coincidem com o período que vai de 1964 a 1994, quando o irmão do Papa, o maestro monsenhor George Ratzinger, que substituiu no cargo o bispo Theobald Schrems, foi diretor do coro de vozes brancas e do coro de vozes masculinas.

A diocese de Ratisbona afirma, ademais, que disponibilizou um advogado, com a finalidade de esclarecer o que aconteceu no passado, identificar as potenciais vítimas e culpados, e sugerir medidas a adotar à luz do direito penal e canônico. Este advogado apresentará em 14 dias um informe provisório.

Desde 2008, há também uma equipe ad hoc coordenada pela psicóloga Birgit Boehm, responsável diocesana para casos de abusos sexuais, e composta por cinco membros (um psicólogo, um ex-juiz, um jurista canônico e dois empregados do ordinariato).

"A Santa Sé - afirma L'Osservatore Romano - apoia a diocese em sua disponibilidade para analisar a dolorosa questão com decisão e de forma aberta, no sentido das diretrizes da Conferência Episcopal Alemã."

"O objetivo principal do esclarecimento por parte da Igreja é fazer justiça às eventuais vítimas - prossegue o diário vaticano. Esta, ademais, agradece pelo compromisso de clareza dentro da Igreja e deseja que uma transparência similar se faça também dentro das instituições, públicas e privadas", já que importa a todos o bem da infância.

O escândalo dos abusos sexuais cometidos pelo clero estourou no final de janeiro, à raiz das revelações que o semanário Spiegel publicou sobre os abusos cometidos nos anos 70 e 80 pelo prestigioso Canisius-Kolleg de Berlim, onde dois sacerdotes teriam perpetrado violências sistemáticas sobre diversos estudantes.

Uma pesquisa realizada pelo semanário Der Spiegel tinha revelado então que os sacerdotes suspeitos de ter cometido abusos sobre menores desde 1995 até hoje são ao menos 94. Atualmente, as denúncias ligadas aos fatos cometidos no Canisius-Kolleg seriam mais de 150.

Em sua assembleia plenária celebrada em Friburgo de 22 a 25 de fevereiro, os bispos alemães se comprometeram a colaborar com a justiça com a máxima transparência e seriedade, para por luz sobre os delitos cometidos por sacerdotes, instituindo um departamento nacional para as denúncias dos abusos sexuais, guiado por Dom Stephan Ackermann, bispo de Tréveris.

Entre outras medidas propostas, está reforçar os exames para a seleção dos seminaristas, oferecer um número de denúncia de abusos sexuais e criar um fundo nacional para indenização das vítimas.

Enquanto isso, o presidente da Conferência Episcopal Alemã, Dom Robert Zollitsch, se dirigirá no dia 12 de março ao Vaticano, para apresentar ao Papa os temas surgidos durante a plenária dos bispos alemães. No centro das discussões estará o tema dos abusos sexuais.

 

Fonte: Zenit

 

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