Dia dos mortos no México: festa de convivência familiar

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Fotos: Mariano Genaro L.

O México está se preparando com alegria para receber e celebrar a bela tradição do dia dos Mortos! Esta é uma celebração do convívio entre a família e a comunidade. Não é halloween estrangeiro.

Por Elmer Pelaez *

Ainda sinto a alegria que me vem à mente ao recordar o altar na casa da minha avó materna onde costumávamos ir dias antes do evento. A minha mãe nos levava a visitá-la porque era um tempo de festa: um “omphalos” com os vivos e os mortos. O cheiro da flor de “cempasúchil”, a canela para o “champurrado” e/ou o delicioso “atole de ananás”, “pan de muertos” e os “tamales”, seguindo uma lista interminável de desejos dos parentes que partiram, mas participavam dos corações dos presentes. À noite, era a “dança da mula macho”, passando de casa em casa a pedir os restos dos que nos visitavam.

Todas as cidades do México estão em júbilo por esta celebração, devido à visita dos seus entes queridos. Estas tradições carregam mensagens cheias de amor e gratidão pela vida e pela morte. Creio que o nosso falecido, juntamente com o Ressuscitado, nos encoraja a confirmar que a morte não tem a última palavra.

Cemitérios

Os cemitérios estão vestidos com flores, perfumes e canções. As velas evaporam o perfume das pétalas amarelas do “cempasúchi” e a fumaça do “copal”. A espiritualidade dos astecas está unida com o sentimento do cristianismo. Unindo as datas de ambos os rituais na solenidade de todos os Santos e na comemoração dos fiéis falecidos.

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O México é um povo festivo e ritualista, marcado pelos seus povos nativos que lhe dão uma cor especial, cheio de emoção e celebração.

Detalhes tradicionais da celebração

Catrina: é a mais popular e original, sendo um personagem de crítica política, na ditadura de Porfirio Dias. José Guadalupe Posada começou a desenhar o famoso crânio e mais tarde em 1947 Diego Rivera, pintou-o com uma estola de penas no mural, "Sonho de uma Tarde de Domingo na Alameda Central".

Pan de muertos: Esta é uma massa doce tradicional que acompanha as ofertas. É único num café da manhã de domingo juntamente com uma xícara de chocolate, uma tradição deixada pelos nossos avós e que ainda preservamos.

Cempasúchil flores: é a flor que veste o cemitério de amarelo. Cada família faz um tapete de pétalas que vai desde a oferta até à porta da rua para acolher os convidados especiais, "as almas dos entes queridos".

Pedir calaverita: canta-se "La calaverita tiene hambre no hay un pancito por ahí, no se los comanlo todo, déjenos la mitad". Desta forma, cada casa pede um pequeno crânio, no final da canção que nos dão doces ou o que quer que tenham sobre o altar.

Foto dos mortos: a oferta é emoldurada por uma foto daqueles que morreram recentemente, realçada por uma fita preta na porta indicando que a Páscoa foi celebrada nesse ano, e as outras fotos da árvore genealógica dos que partiram para o céu são colocadas à sua volta.

Outros elementos: finalmente, após o filme "Coco", esta tradição tem cada vez mais força a cada ano. Levando aos grandes palcos um concurso de catrinas vestidas como Frida Kahlo, caveiras com chapéus de charro, personagens famosas do momento e altares com caveiras.

Não morrerá para sempre

altar-Fiesta-Muertos-México-Mariano-Genaro-L.A teologia católica afirma que a morte não existe, dizendo: "Quem acreditar em Ti, Senhor, não morrerá para sempre". A Páscoa é a passagem da morte para a vida eterna.  Aqui recordamos a frase de Gabriel Marcel: "Amar alguém é dizer-lhe: nunca morrerás" ou uma síntese do filme Coco: aquele que é esquecido morre ou desaparece. Ou como diz o livro de Eclesiástico: "Estão dissolvidos na névoa do esquecimento, há tantos que existiram como se nunca tivessem vivido" (Eclo 44,9). Isto é realmente perigoso!

Esta festa dos mortos nos faz levar uma vida que deixa vestígios na memória do mundo. Este é o valor da fotografia, não só da fotografia digital, mas também da memória e das "memórias congeladas". Não esqueçamos que recordar é voltar ao coração daqueles que marcaram o momento.

Este evento encoraja-nos a viver cem por cento no aqui e agora. Muitos de nós que hoje estamos vivos ocupamos espaços que os nossos entes queridos nos deixaram como um legado.  Nunca esqueçamos os nossos antepassados.

Feliz Dia dos Mortos! Feliz Dia de Todos os Santos!

* Diácono Elmer Pelaez Epitacio, IMC, missionário mexicano em Toribio (Colômbia)

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