Em busca do tesouro

Jesus não exige um pouco, nem relativiza, oferecendo só a metade. Na investida do verdadeiro, incontestável e irrefutável Reino, Jesus de Nazaré pede tudo.

Por Geovane Saraiva*

Quem encontra o tesouro apressa-se em vender tudo o que possui, pela conquista ou para adquiri-lo. Conquistá-lo consiste na relevância de ficar muito perto do sonho do Reino de Deus, pelo Evangelho, pelo esforço da mensagem cristã, na graça e na amizade com Deus. É, na verdade, um tesouro muito bem escondido e oculto, mas presente no mundo, e muitos o têm como um valor inigualável. Outros, tendo-o achado, não o valorizam e optam mesmo é pelo reino terreno. Outros, ainda, encontram enorme dificuldade e contam com forças insuficientes na intenção de descobri-lo.

corpus-christiO gozo da vida, o absoluto dos bens materiais e a satisfação da vida terrena no mundo da diversidade, como o nosso atual, falam mais alto. Aqui não se prescinde de um coração grande, afável e dócil, na mesma atitude do Rei Salomão, compreendendo e fazendo a diferença entre o bem e o mal (cf. 1Rs 3, 9), tendo, dentro de uma visão divina, o que é eterno e o que é transitório, fugaz ou efêmero, entre o que é aparente e o que é essencial, ou fundamental, na radical tomada de decisão: “vender todos os seus bens”, na ânsia do tesouro.

Veja, estimado leitor e estimada leitora, que Jesus não exige um pouco, nem relativiza, oferecendo só a metade. Na investida do verdadeiro, incontestável e irrefutável Reino, Jesus de Nazaré pede tudo, dando-nos também, em contrapartida, não pouco, prometendo-nos na sua compassiva misericórdia tudo, o prêmio da vida, na contemplativa comunhão com Deus. Saibamos, pois, insistentemente, nunca perder de vista a vontade divina de abraçar as realidades que transcendem e que são eternas: o tesouro.

Guardemos as palavras de São Bernardo de Claraval: “Ó sabedoria eterna, que vos entendeis de uma a outra extremidade da terra, para governar com força todas as coisas, dirigis nossas ações segundo as exigências de vossa vontade, a fim de que possa cada um de nós, sem temor, gloriar-nos em vós”. Conduzidos por vós, ó sabedoria encarnada do Pai, que possamos usar, de tal modo, os bens que passam, mas no sentido de abraçar os que não passam. Assim seja!

*Geovane Saraiva é pároco de Santo Afonso, Blogueiro, Escritor e integra a Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).

Deixe uma resposta

10 − 2 =