Mártires do século XXI

Hoje em todo o mundo, muitos são perseguidos e mortos por causa da fé que professam. Isso não só entre os cristãos mas em várias confissões religiosas.

Por Jaime C. Patias

O Coliseu em Roma foi tingido de vermelho, como o sangue dos mártires cristãos, neste sábado, 24 de fevereiro de 2018. Simultaneamente, também foram iluminadas as igrejas de São Paulo em Mosul e Sant'Elia em Aleppo na Síria onde desde 2011 a guerra civil já causou mais de 350 mil mortes e 5 milhões de refugiados.

Hoje em todo o mundo, muitos são perseguidos e mortos por causa da fé que professam. Isso não só entre os cristãos mas em várias confissões religiosas.

ColiseoRojoAINDois mil anos depois, em uma noite escura e chuvosa de Roma, o Coliseu volta a ser tingido de vermelho, não com o sangue dos mártires cristãos mortos pelo Império Romano de Nero, mas pela luz de sangue de dezenas de faróis. O anfiteatro tingido de sangue é um grito contra a indiferença diante das perseguições sofridas pelos cristãos no século XXI. A manifestação foi organizada pela Fundação Ajuda à Igreja que Sofre que há 70 anos vem lutando em todo o mundo para apoiar os necessitados e defender liberdade de fé.

Da Síria e do Iraque há inúmeros testemunhos de cristãos que escaparam da fúria do Estado Islâmico. Em Roma, temos o grito de Rebecca Bitrus, uma nigeriana sequestrada por Boko Haram e os relatos de Ashiq Masiq e Eisham Ashiq, marido e filha de Asia Bibi, uma mulher paquistanesa condenada à morte por blasfêmia.

O cardeal Pietro Parolin também esteve no Coliseu: “Aleppo e Mosul são lugares símbolos da imensa dor causada pelo fundamentalismo e pelos interesses geopolíticos”, disse o secretário de Estado do Vaticano. "A liberdade religiosa é continuamente ameaçada tanto para os cristãos quanto para os que pertencem a outras religiões".

Antonio Tajani, presidente do Parlamento Europeu, fez um apelo às Nações Unidas: "Gostaríamos que as Nações Unidas tivessem a coragem que teve o Parlamento Europeu de definir a perseguição contra cristãos como genocídio”.

Fiéis ao Evangelho, mulheres, homens, crianças, anciãos, indígenas, quilombolas, lavradores, operários, estudantes, mães de família, advogados, professores, prefeitos, militantes e agentes de pastoral, artistas e comunicadores, pastores, sacerdotes, catequistas, bispos... lavaram as vestes de seus compromissos no sangue do Cordeiro. Nomes conhecidos ou anônimos, todos são fermentos do Reino. “Vidas pela vida, vidas pelo Reino...Todas as nossas vidas, como as suas vidas, como a Vida d’Ele. O Mártir Jesus”.

Na Igreja, enquanto houver martírio, ou seja, fidelidade a Cristo, haverá credibilidade, profecia e esperança. O que conta é a fidelidade à missão recebida. Uma vez aceito o perigo, essa fidelidade é iluminada pela Cruz de Cristo. “Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só, mas se morrer, dá muito fruto (Jo 12,24).

O Papa Francisco recorda que “os mártires são o máximo exemplo do perder a vida por Cristo. Em dois mil anos são uma fileira os homens e as mulheres que sacrificaram a vida para permanecerem fiéis a Jesus Cristo e ao seu Evangelho (...). Essa é a nossa Igreja. Hoje temos mais mártires do que nos primeiros séculos. Mártires cotidianos, mártires da cotidianidade!”

A História mostra que em todos os lugares do mundo onde a semente do Evangelho foi lançada, teve de ser regada com o sangue dos mártires. A perseguição começou com Jesus; foi caluniado, flagelado, coroado de espinhos, crucificado e morto entre dois ladrões. Antes Dele seu Precursor, João Batista, foi degolado. Logo em seguida foi Santo Estevão, apedrejado até a morte. Tiago maior, foi morto por um dos Herodes. Pedro e Paulo morreram sob Nero e junto com eles milhares de cristãos derramaram seu sangue no Coliseu, no Circo de Nero e nos anfiteatros romanos em toda a volta do Mediterrâneo. Milhares de crianças, jovens, mulheres e velhos derramaram seu sangue para que a fé chegasse a nós.

O escritor cristão do século II, Tertuliano, afirmou: “o sangue dos mártires é semente de novos cristãos”. Ele escrevia ao imperador romano Marco Aurélio para lhe dizer que não adiantava matar os cristãos. Quanto mais cristãos eram martirizados barbaramente, mais romanos se convertiam; até que em 313 d.C, depois de 250 anos de perseguição de Nero, Domiciano, Trajano, Aureliano, Marco Aurélio, Diocleciano etc., o imperador Constantino, convertido ao cristianismo, pelo Edito de Milão proibiu a perseguição aos cristãos. Em 385 Teodósio, o Grande, decretou o fim do paganismo e Roma se tornou cristã.

*Jaime C. Patias, imc, Roma, 25 de fevereiro de 2018

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