Identidade e missão dos Religiosos Irmãos é o tema do documento lançado no Vaticano

O religioso Irmão reflete o rosto de Cristo: Irmão, simples, bondoso, próximo, acolhedor, generoso e servo

Por Rosinha Martins

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Realçar a riqueza e a necessidade de todas as vocações na Igreja, especialmente a vida religiosa leiga dos homens e das mulheres, pessoas que querem assemelhar-se a Jesus, destacando especialmente a vocação dos Irmãos, em vivência fraterna.

“O religioso Irmão reflete o rosto de Cristo: Irmão, simples, bondoso, próximo, acolhedor, generoso e servo”. É o que propõe o documento "Identidade e missão do Irmão Religioso na Igreja, apresentado nesta segunda, 14, no Vaticano, por ocasião das atividades conclusivas do Ano da Vida Consagrada que encerra em 2 de fevereiro de 2016.

A vocação do Religiosos Irmãos – um quinto dos religiosos masculinos na Igreja são Irmãos ou religiosos leigos, isto é, não são padres – na palavra do Cardeal de Aviz, prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, "é, em primeiro lugar, a vocação cristã. É o chamado do Espírito à assemelhar-se a Cristo para a glória do Pai e contribuir na edificação do Reino. Esta contribuição se dá mediante o exercício na Igreja de um serviço ou ministério segundo o Evangelho, que contribui com a saúde espiritual das pessoas".

Ainda de acordo com dom Aviz, "a pessoa de Cristo é tão rica que cada cristão vive esta vocação colocando em realce alguns traços específicos: alguns se identificam com Cristo dedicando-se ao serviço material para construir um mundo onde as pessoas possam vivem em condições mais dignas; outros, anunciando a Boa Notícia; outros dedicando-se à cura dos doentes; outros ainda, identificando-se especialmente com Cristo pobre, casto e obediente".

votos_maristas_151O documento ressalta que a identidade e a missão do Religioso Irmão pode ser assumida na fraternidade entendida como: dom que o Irmão recebe de Deus, comunhão de pessoas; dom que compartilha com seus irmãos na vida fraterna em comunidade e dom que oferece ao mundo para a construção de um mundo de filhos de Deus e de Irmãos. A fraternidade não é simplesmente fruto do esforço pessoal. Não se chega a ser Irmão segundo o Evangelho somente pelo desejo de sê-lo ou por um impulso individual. A fraternidade é acima de tudo, o dom que o Religioso Irmão recebeu e que torna dom compartilhado na vida fraterna em comunidade. O Religioso Irmão vive em comunidade como Irmão de Cristo que intercede ao Pai pela unidade dos seus discípulos. Ele, junto com os Irmãos é aberto às necessidades da Igreja e do mundo. “A sua missão é definitiva, aquela de construir uma fraternidade universal fundada sobre os valores do Evangelho”.
A fraternidade dos Religiosos Irmãos não é autorreferencial ou fechada em si mesma. É uma fraternidade para a missão; uma fraternidade em perfeita sintonia, como disse o Papa Francisco, com uma Igreja em êxodo, em saída rumo às periferias deste mundo; com uma Igreja chamada a construir pontes, aberta aos homens contemporâneos de cada raça, cultura e credo. O amor fraterno se concretiza na Igreja e na vida dos Religiosos Irmãos através de numerosos serviços: educar, curar os doentes, assistir os encarcerados, acolher os refugiados, na Catequese, desenvolver determinados trabalhos manuais, etc. Muitos destes serviços representam verdadeiros e próprios ministérios".

No documento, explicou mons. José Rodríguez Carballo, ofm, secretário da Congregação, “a Igreja é vista como mistério de comunhão à imagem do Filho com o Pai no dom do Espírito Santo”. A comunhão das três Pessoas divinas é modelo, fonte e centro da comunhão dos cristãos com Cristo; dela nasce a comunhão dos cristãos entre si (cf. 5. p.2; 3, p.1; 4, p.1; 5 p.1...), em uma vida fraterna. Se trata da comunhão dos fiéis que se reúnem para celebrar o mistério da Trindade e para tornar realidade a súplica de Jesus: "Que todos sejam um, como Tu Pai, é em mim e eu em Ti, afim de que o mundo creia que Tu me enviastes". (Jo17,21).

À luz da sua identidade como mistério de comunhão, a Igreja, animada pelo Espírito, "reafirma hoje a sua consciência de ser Povo de Deus, na qual todos tem a mesma dignidade recebida no batismo, todos tem a mesma vocação à santidade, todos são corresponsáveis pela missão evangelizadora".

Entre outras recomendações, o documento convida os religiosos irmãos a não caírem na tentação do ativismo; à colaboração com os leigos (‘os leigos empenhados no mundo recordam eficazmente o religioso irmão que estes não podem ser indiferentes à salvação da humanidade nem ao progresso terreno desejado por Deus e ordenado por Cristo). O Irmão, por outro lado, recorda ao leigo empenhado na sociedade secular que o progresso terreno não é a meta definitiva, que a edificação da cidade terrena está fundamentada no Senhor e aqueles que Nele confiam não terão trabalhado em vão.

Ainda, segundo Mons. Carbalho, o documento, que é dedicado aos Religiosos Irmãos, se estende também às Vida Religiosa feminina, devido à semelhança entre as duas vocações.

O encerramento do Ano da Vida Consagrada

Mons. Rodriguez Carballo fez menção à Semana conclusiva do Ano da Vida Consagrada, que reunirá todas as formas de vida consagrada: novas formas, Ordo Virginum, institutos seculares, contemplativos, religiosos e religiosas de vida apostólica. O tema desse encontro será Vida Consagrada em comunhão.

O evento pretende reunir seis mil consagrados provenientes de todas as partes do mundo. Terá início com uma vigília de oração no dia 28 de janeiro às 18h na Basílica de São Pedro. No dia 29 haverá um encontro para todas as formas de vida consagrada na Aula Paulo VI que terá como objetivo refletir sobre os elementos essenciais da Vida Consagrada. No dia 30 e 31 de janeiro cada forma de Vida Consagrada desenvolverá um programa próprio. As contemplativas se encontrarão na Universidade Urbananiana, a Ordem das Virgens, na Antonianum, os Institutos Seculares na Augustinianum e os Religiosos de Vida Apostólica na Lateranense.

O dia 1º de fevereiro será marcado por uma audiência com o Papa Francisco na Aula Paulo VI e o tema a ser refletido será “Consagrados hoje na Igreja e no mundo, provocados pelo Evangelho".

No dia 2, enfim, pela manhã haverá uma peregrinação, motivada pelo Ano da Misericórdia, que se dará fora dos muros da Basílica São Pedro e Santa Maria Maior. À tarde, na hora a ser ainda indicada, haverá a Eucaristia presidida pelo Papa na Basílica de São Pedro.

Para mais informações e inscrições,consultar: www.congregazionevitaconsacrata.va
Tradução de Rosinha Martins, CRB Nacional.

Fonte: vaticaninsider e asianews.it
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