Bom inicio de ano

Egon Heck *

"Os 72 conflitos pela posse de terra desenham a situação agrária em MS. Puccinelli afirmou haver "muita terra para pouco índio", e que a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) pretende demarcar 39 novas aldeias para os Guarani Kaiowá. Segundo levantamento apresentado na reunião, ao ceder 21,48% da área do Estado às comunidades indígenas, mais de 60% das lavouras de soja deixariam as mãos dos agricultores do Estado." (terrabrasilies, 13/01/09)

"O Cimi segue alertando para a grave situação do povo Guarani Kaiowá no Mato Grosso do Sul. Entre assassinatos e suicídios, foram 74 casos em 2008 e 75 casos em 2007, numa população de cerca de 40 mil pessoas. A falta de terra e o confinamento em pequenas aldeias são as principais razões, na avaliação do Cimi, para a constante ameaça à sobrevivência física e cultural deste povo. Há anos, o Cimi e diversos indigenistas alertam que os Guarani Kaiowá são vítimas de genocídio" (Cimi,13/01/09)

Tudo como dantes sob o sol tropical do Mato Grosso do Sul. As autoridades e elites políticas e econômicas voltam a campo com as mesmas mentiras e preconceitos. Os números da violência contra os povos indígenas no Estado expressam o mesmo processo genocida das últimas décadas.
Nesse dia 13 de janeiro recomeça oficialmente o embate entre os direitos dos povos indígenas e os interesses contrários ao reconhecimento dos mesmos. E o governador dá o pontapé inicial. Repete a mesma frase dos invasores há mais de meio século. "muita terra para pouco índio". Seguem-se os mesmos números falaciosos e enganosos. Refere-se aos Kaiowá Guarani, que possuem uma média inferior a um hectare por pessoa. Os 34 suicídios indígenas registrados no pais foram todos entre os Kaiowá Guarani. Quase 70% dos assassinatos indígenas registrados no país, foram desse povo. Será que esses dados são vistos como conseqüência de "muita terra para poucos índios?"

O Fórum Social Mundial, que terá início daqui uns dias em Belém do Pará, certamente será um espaço em que se procurará refletir em termos mundiais a respeito de semelhantes situações, que infelizmente continuam se repetindo em nosso continente.

No Mato Grosso do Sul se espera que o diálogo iniciado no final do ano passado, entre todos os segmentos e organismos envolvidos com o reconhecimento constitucional das terras indígenas Kaiowá Guarani, continue e se contribua decisivamente para o equacionamento dessa questão.

O governo federal, através da Funai, terá a incumbência de concluir os trabalhos de identificação das terras indígenas dentro dos prazos estabelecidos pelo Termo de Ajustamento de Conduta.

O desejo de todos os que buscam construir um país com justiça social, dentro da pluralidade de povos e culturas, no respeito às diferenças e aprofundamento da democracia e dentro dos parâmetros da Constituição e legislação internacional, é que esse seja um ano de crescimento não apenas econômico, mas no reconhecimento do direito de todos, especialmente os secularmente espoliados e oprimidos.

* Egon Heck, assessor do Cimi MS

Fonte: Cimi MS

 

Deixe uma resposta

um × dois =